PF mira FBC, Fernando Coelho e Miguel Coelho em operação sobre suposto desvio de emendas em Petrolina

Defesa do ex-senador e dos políticos da família Bezerra Coelho aguarda acesso aos autos. Operação da PF cumpre mandatos e investiga supostas fraudes

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 25/02/2026, às 11h47 - Atualizado às 12h03

Antonio Coelho, Fernando Filho, Fernando Bezerra Coelho e Miguel Coelho lado a lado sorriem
Antonio Coelho não é citado. Fernando Filho e Miguel Coelho são filhos do ex-senador Fernando Bezerra Coelho (FBC) - Reprodução

A Polícia Federal deflagrou a Operação Vassalos para investigar o desvio de emendas parlamentares em Petrolina, no Sertão.

Os principais alvos são o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e seus filhos, Fernando Filho e Miguel Coelho, ambos do União Brasil.

O ministro Flávio Dino (STF) autorizou 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados e no Distrito Federal, incluindo endereços da empresa Liga Engenharia.

A investigação apura crimes de peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitações, com suspeita de direcionamento de contratos para empresas do clã.

A defesa dos políticos informou que aguarda acesso à decisão do STF para se manifestar, alegando que os mandados não continham os fundamentos das medidas.

FBC e Fernando Filho possuem histórico de liderança em Brasília, tendo ocupado ministérios nos governos Dilma, Temer e Bolsonaro.

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (25), a Operação Vassalos. A ação investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares em Petrolina, no Sertão de Pernambuco.

Entre os principais alvos estão o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e seus filhos, o deputado federal Fernando Filho (União Brasil) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil).

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.

A investigação também mira o empresário Pedro Garcez e sua empresa, a Liga Engenharia, que supostamente teria relações próximas com o grupo político. A PF também fez buscas no endereço ligado ao empresário em Salvador.

Segundo as investigações, o grupo supostamente operava uma organização criminosa suspeita de direcionar licitações para empresas vinculadas ao clã Coelho. O esquema utilizava recursos de emendas parlamentares para o pagamento de vantagens indevidas e a ocultação de patrimônio. A PF apura crimes de peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitações e contratos.

O advogado André Callegari, que representa o ex-senador e seus filhos, afirmou que ainda não teve acesso à íntegra da decisão do ministro Flávio Dino. Segundo a defesa, os mandados chegaram desacompanhados dos fundamentos que embasaram as medidas cautelares. O escritório solicitou acesso aos autos para analisar o conteúdo e se manifestar formalmente no processo.

Em nota, a Prefeitura de Petrolina informou que acompanha o caso e aguarda mais informações para emitir um posicionamento oficial sobre as investigações que envolvem a gestão municipal.

Família Coelho

Fernando Bezerra Coelho já ocupou o cargo de ministro da Integração Nacional na gestão de Dilma Rousseff (PT) e atuou como líder do governo de Jair Bolsonaro (PL) no Senado.

Seu filho, Fernando Filho, também serviu no primeiro escalão federal como ministro de Minas e Energia no governo de Michel Temer (MDB).