Governo do Brasil critica ida de Flávio Bolsonaro aos EUA e chama senador de "traidor da pátria"

Flávio Bolsonaro afirma que Lula não enviou nenhum representante à reunião e diz que taxas beneficiam o presidente, na medida em que ele usa o discurso de soberania nacional

Otávio Gaudêncio

por Otávio Gaudêncio

Publicado em 08/07/2026, às 09h26

Flávio Bolsonaro em reunião nos EUA. Mão de Flávio Bolsonaro com escrita "PT Tax Party", que significa PT, partido das taxas
Mão de Flávio Bolsonaro com escrita "PT Tax Party", que significa PT, partido das taxas - Reprodução/Instagram Flávio Bolsonaro

O Governo Federal divulgou, na terça-feira (7), nota oficial criticando a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em audiência pública sobre o tarifaço praticado pelos Estados Unidos contra o Brasil, em Washington, capital do país norte-americano. 

O evento foi organizado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e recebeu, entre a segunda-feira (6) e a terça-feira, 78 entidades e pessoas físicas, que estiveram presentes nos 14 painéis do evento. Dos participantes, o governo brasileiro afirma que 63 são contra o tarifaço e 15 são a favor. 

De acordo com o Governo Federal, dos 34 brasileiros presentes, apenas o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro não se posicionou contra as medidas econômicas do presidente Trump. "O senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país", escreveu. 

O político pernambucano e ex-ministro do Turismo Gilson Machado Neto (Podemos) acompanhou o senador bolsonarista na viagem aos Estados Unidos e, como um dos pontos, apontou suposta inércia do presidente Lula (PT) em negociar com o governo estadunidense

A gestão nacional afirma manter negociações com o país norte-americano desde julho de 2025 para reverter a aplicação de tarifas a produtos brasileiros. "Enquanto o senador Flávio Bolsonaro tentava politizar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, funcionários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Itamaraty; Ministério da Justiça; e do Palácio do Planalto mantinham reunião com técnicos do USTR para desfazer o tarifaço contra o Brasil", disse o Governo Federal. 

Flávio, por outro lado, disse que o presidente Lula não mede esforços para negociar com Trump por conta do discurso de "soberania nacional" que o embate promove. "Ele [Lula] não mandou ninguém para cá, nem uma única pessoa para defender o Brasil", afirmou.