Reaproximação entre governadora e Eduardo da Fonte leva à redistribuição de cargos e reforça disputa interna na federação União Progressista
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 05/05/2026, às 19h25
- PP deve indicar novo presidente da Copergás após acordo com o governo
- Guilherme Cavalcanti pode ser transferido para a Adepe
- Governo recompõe espaços após tensão com Eduardo da Fonte
- Disputa interna na federação envolve também vagas ao Senado
A paz selada entre o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) -presidente estadual da sigla e da Federação União Progressista - e a governadora Raquel Lyra (PSD) deve implicar numa recomposição de espaço na gestão estadual por parte do parlamentar. Nos bastidores, a tendência é de que o comando da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) passe a ser ocupado por um nome indicado por Dudu.
O atual presidente da estatal, Guilherme Cavalcanti, que assumiu o cargo no início de abril, deve ser remanejado para outra função no governo estadual. Entre as possibilidades em discussão para ele está a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), hoje comandada por Roberta Andrade Figueirôa.
A ida de Cavalcanti para a Copergás havia sido uma estratégia do governo para acomodar o grupo do ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil), que também integra a federação e se posiciona como pré-candidato ao Senado na chapa de Raquel - apesar de não haver sinalizações dela.
Na mesma linha, outras indicações ligadas ao grupo de Coelho foram efetivadas em órgãos estratégicos, como o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) e o Porto do Recife, anteriormente comandada por aliados de Eduardo da Fonte.
As mudanças aconteceram após movimentos de Dudu, que chegou a dialogar com o ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo do estado, João Campos (PSB). A aproximação provocou reação do Palácio do Campo das Princesas, que promoveu a substituição de nomes vinculados ao PP em órgãos como o Ceasa, o Porto do Recife e o Lafepe.
No mesmo período, Miguel Coelho foi preterido a Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) ao Senado na chapa socialista, que obrigou o União Brasil a migrar para o campo da governadora.
Com a retomada do alinhamento entre o Progressistas e o governo estadual, a gestão iniciou um processo de recomposição. Além da indicação para a Copergás, o partido deve recuperar influência em outras estruturas, incluindo o Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa).
Bruno Rodrigues, muito próximo ao deputado federal, deixou a presidência do Ceasa e não pode voltar para o cargo. A informação recebida por aliados da governadora é que a indicação seja para o Detran-PE.
A movimentação ocorre às vésperas da formalização do apoio do PP à reeleição de Raquel Lyra, prevista para a próxima sexta-feira (8). Na segunda-feira (4), a governadora gravou inserções ao lado de parlamentares do PP.
O movimento já vinha sendo sinalizado publicamente. Na última quinta-feira (31), durante a formatura de novos policiais militares na Arena de Pernambuco, Eduardo da Fonte indicou reaproximação com a governadora ao aparecer ao lado da gestora e demonstrar alinhamento político.
Anteriormente, aliados do pré-candidato ao Senado vinham defendendo publicamente a permanência da Federação no entorno da governadora. O deputado Waldemar Oliveira (Avante) chegou a afirmar ao Jamildo.com que Dudu - como é chamado no meio político, não guarda mágoas de Raquel Lyra.