Com votação agrupada de emendas, Câmara do Recife aprova PL de João Campos sobre remuneração de servidores

Projeto de João Campos recebeu 433 emendas de parlamentares, com nove aprovações, além de duas vindas do Executivo. Momento contou com protesto dos servidores

Otávio Gaudêncio

por Otávio Gaudêncio

Publicado em 01/04/2026, às 07h11

Câmara Municipal do Recife
Câmara Municipal do Recife - Reprodução/Câmara do Recife

A Câmara do Recife aprovou o reajuste salarial dos servidores municipais (PLE nº 3/2026), de autoria do prefeito João Campos, por 23 votos a 11.

A sessão foi marcada por protestos de servidores e forte debate entre vereadores sobre o conteúdo do projeto.

As 433 emendas apresentadas foram votadas de forma agrupada, o que gerou críticas de parlamentares.

Nove das emendas foram aproveitadas via subemendas, enquanto governistas alegaram limites legais para rejeição das demais.

Na reunião plenária da Câmara dos Vereadores do Recife da última terça-feira (31), os parlamentares aprovaram o Projeto de Lei Executivo (PLE) nº 3/2026, de autoria do prefeito João Campos (PSB), que trata sobre o reajuste salarial dos servidores e empregados públicos da Administração Indireta e Direta do Município

Com parte dos servidores presente nas galerias e protestando, a Casa deu aval à pauta pelo placar de 23 votos favoráveis frente a 11 contrários. 

A votação, no entanto, abordou as 433 emendas recebidas de modo agrupado, o que gerou discussão na Câmara. Do total, nove propostas foram aprovadas anteriormente nas comissões da Casa, com a aplicação de subemendas, além de duas do próprio Executivo. 

O líder governista no pleno e líder da Comissão de Finanças, Samuel Salazar (MDB), justificou que todas as emendas reprovadas extrapolavam o limite da competência do vereador de propor as emendas. 

"Fiz subemendas para tentar salvar algumas emendas, colocando uma condicionante de "poderá" e não "deverá", colocando a possibilidade caso haja disponibilidade orçamentária", disse Salazar.

"O próprio projeto do João Campos não tem dotação orçamentária... O próprio projeto também vai contra lei e não pode ser votado. Essa sessão tem que ser anulada", defendeu Thiago Medina (PL).

No plenário, a votação das propostas seguiu de maneira agrupada, a pedido do vereador Eduardo Mota (PSB) e após votação no pleno. A solicitação do socialista venceu por 20 votos a 13.

Por outro lado, parlamentares como Eduardo Moura (Novo), Felipe Alecrim (Novo), Luana Cirne (PT) e Thiago Medina protestaram.

"Não sou da oposição e vou votar contra. Essa deliberação prejudica o debate", disse a petista. 

"Nosso mandato apresentou dezenas de emendas... Cada emenda dessa representa a vida de um servidor que tá sendo debatido aqui", afirmou o líder da oposição na Câmara, Felipe Alecrim. 

"As emendas fazem parte do projeto", afirmou o presidente da Câmara, Romerinho Jatobá (PSB), alegando que o regimento da Casa prevê que a "preposição será discutida em conjunto, inclusive com as emendas, se houver".

Definido o modelo de votação, a discussão da pauta foi feita por quatro vereadores, sendo dois contra (Eduardo Moura e Thiago Medina) e dois a favor (Samuel Salazar e Rinaldo Junior (PSB)).