Bastidores: Conversa entre Marília Arraes e José Dirceu movimenta articulações para o Senado

José Dirceu atua na articulação nacional do PT e avalia nome de Marília Arraes para o Senado, em cenário que envolve alianças com o PSB em Pernambuco

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 26/01/2026, às 17h04 - Atualizado às 17h05

Imagem Bastidores: Conversa entre Marília Arraes e José Dirceu movimenta articulações para o Senado

Marília Arraes se reuniu com José Dirceu e voltou ao centro das articulações

Ex-ministro atua na formação de chapas fortes ao Senado

PT considera indispensável a presença de Humberto Costa na composição

Disputa pela vaga envolve também Silvio Costa Filho e Miguel Coelho

De volta à corrida eleitoral no pleito de outubro, a figura histórica do Partido dos Trabalhadores, José Dirceu buscará uma cadeira na Câmara dos Deputados neste ano e argumenta em entrevistas recentes que seu retorno à vida pública está ligado à defesa de uma reorganização do campo democrático. O petista encontrou na última sexta-feira (23) com a ex-deputada federal Marília Arraes (Solidariedade) e reacendeu movimentações internas na Frente Popular.

Dirceu tem demonstrado entusiasmo com a possibilidade de Marília entrar na corrida. O petista defende ainda uma reforma política com foco no fim das emendas impositivas e em reestruturar a correlação de forças entre governo e Congresso na próxima legislatura, principalmente no Senado, onde dois terços dos mandatos serão renovados neste pleito.

Há uma possibilidade dos bolsonaristas serem maioria na Casa, com a chance de eleger presidente e articular impeachment e ministro do Superior Tribunal Federal (STF), por exemplo. Um mapeamento da correlação de forças no Senado indica que a oposição ao governo Lula pode se tornar majoritária na próxima legislatura.

O bloco de partidos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) poderá alcançar até 44 das 81 cadeiras da Casa a partir de 2027, número suficiente para disputar a presidência do Senado, mas insuficiente para concretizar o principal desejo do grupo: o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A projeção foi elaborada pela coluna de Andreza Matais, do portal Metrópoles, com base nas pesquisas eleitorais da Real Time Big Data e no posicionamento atual dos senadores.

Nos bastidores, é mencionado que Dirceu segue atuando, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na articulação de chapas consideradas competitivas para o Congresso Nacional. A partir dessa movimentação, em eleger nomes ligados à esquerda, surge Marília Arraes, que passou a ser tratado como ativo eleitoral relevante, principalmente pelo bom desempenho no pleito de 2022, quando ultrapassou 1 milhão de votos no primeiro turno e 2,1 milhões no segundo.

Aliados relatam que Dirceu tem sondado o cenário pernambucano e avaliado caminhos para viabilizar a candidatura de Marília em uma composição alinhada ao PSB, tendo o prefeito do Recife, João Campos, como candidato ao governo do estado, ainda não trate sobre o tema publicamente. Dentro do PT, é considerada condição inegociável que Humberto Costa integre a chapa ao Senado, formando uma eventual dobradinha.

Marília Arraes e Humberto Costa no carnaval 2025
Reprodução/ redes sociais

Paralelamente, circula no meio político a possibilidade de Marília Arraes mudar de legenda, visto a falta de capilaridade do Solidariedade. O tema foi abordado publicamente pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, ao citar negociações em curso no PDT. “Tem muita gente boa querendo vir para o PDT. Não posso dizer, senão atrapalha as negociações, mas há dois nomes de muito peso”, afirmou. Em seguida, mencionou diretamente a ex-deputada: “Uma dessas possibilidades é a ex-deputada Marília Arraes".

Disputa antecipada

A corrida pelo Senado está mais movimentada do que a própria disputa pelo governo estadual. A oito meses da eleição, o debate já domina o cenário em Pernambuco, com Raquel Lyra (PSD) buscando a reeleição e João Campos (PSB) consolidado como principal adversário.

O PT segue no centro dessa movimentação, onde precisa decidir se apoia João Campos ou se seguirá com Raquel Lyra, apesar do deputado João Paulo ser entusiasta de dois palanques para o presidente Lula. No momento, a lógica é seguir com o PSB, do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

Apesar de Raquel ter condições de declarar apoio à Lula, como já vem se reaproximando do Palácio do Planalto, o seu partido, o PSD, deve lançar candidato à presidência, como Ratinho Júnior, governador do Paraná, ou Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.

Miguel Coelho, Marília Arraes, João Campos e Silvio Costa Filho

A eventual composição da chapa ao Senado vinculada ao projeto estadual liderado por João Campos vive uma espécie de primárias, com outros nomes envolvidos. Com Humberto Costa dado como presença certa, caso a aliança entre PT e PSB se confirme, uma vaga permanece em disputa. Marília concorre nesse espaço com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), e com o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil).

Silvio tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas enfrenta baixa lembrança entre o eleitorado. Já Miguel, que tenta se posicionar como oposição à governadora Raquel Lyra, enfrenta o impasse da federação partidária entre União Brasil e Progressistas, que integra a base da ex-tucana.