Relações entre Miguel Coelho e nomes do PSB estariam tensas. Silvio Costa Filho disputa com ex-prefeito de Petrolina e Marília Arraes vaga pelo Senado
por Cynara Maíra
Publicado em 16/01/2026, às 10h07 - Atualizado às 11h13
Em vistoria no Aeroporto do Recife, ministro Silvio Costa Filho (Republicanos) reforça lealdade ao prefeito João Campos (PSB), em meio à disputa pela vaga ao Senado em 2026.
Declaração é interpretada como recado aos concorrentes na chapa de Campos: Humberto Costa (PT), Marília Arraes (Solidariedade) e Miguel Coelho (União Brasil).
Competição hoje é mais direta entre Marília, Miguel e Silvio, enquanto Humberto aguarda definição nacional do PT e eventual apoio de Lula ao projeto de João Campos no Recife.
Miguel Coelho pressiona PSB ao dizer que União Brasil estará com quem defender o projeto do partido e critica gestões anteriores do PSB por “negligência” com o interior, citando falta de hospital regional em Petrolina.
Silvio já havia sinalizado que não pretende usar o Senado como trampolim para outras disputas, em indireta a Marília; ex-deputada, por sua vez, cobra que o nome ao Senado seja “competitivo” e lidera pesquisas ao lado de Humberto
Durante a agenda do ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), junto ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), Silvio aproveitou o espaço para defender sua posição ao lado do socialista.
Na vistoria do terminal do Aeroporto Internacional do Recife, Silvio afirmou: “Eu sempre me pautei pela palavra lealdade, correção e decência [...] Mais vale um pássaro na mão que dois voando”.
A fala de Silvinho pode funcionar como um recado para os outros competidores que disputam uma vaga na chapa de João Campos para o Senado Federal. Além do ministro, poderão compor a Frente Popular para o Congresso o senador Humberto Costa (PT), Marília Arraes (Solidariedade) e Miguel Coelho (União Brasil).
Como Humberto ainda aguarda um direcionamento nacional sobre a situação do PT no estado e o endosso para sua reeleição seria condição para o apoio de Lula a João, a competição direta ocorre entre Marília, Miguel e Silvio Costa Filho. Dentre os "competidores", Silvinho é o que está com João Campos a mais tempo, já que Marília e Miguel iniciaram o apoio ao socialista após a vitória de Raquel Lyra nas eleições de 2022.
A declaração do ministro de Lula poderia ser uma resposta a uma fala de Miguel Coelho. O presidente estadual do União Brasil afirmou em entrevista ao Blog Cenário que o União Brasil estaria no palanque de quem defender o projeto do partido.
“E quem enxergar isso, enxergar o nosso potencial, enxergar a nossa densidade, mas acima de tudo, reconhecer que a gente faz política com respeito, entregando, transformando a política em resultado, a gente vai estar junto dessa pessoa que confiar e acreditar na gente”, afirmou Miguel.
A fala soou como uma pressão ao PSB para assegurar sua vaga ao Senado. Algumas lideranças aliadas de João Campos consideram que o político tenta determinar a chapa de maneira "prematura".
Miguel também criticou gestões estaduais anteriores do PSB ao afirmar que ocorreu negligência ao interior em gestões passadas.
“É um absurdo Petrolina, o Sertão do São Francisco, não ter um hospital regional, quando tantos outros governadores já se passaram [...] o interior sempre foi deixado à margem por muito tempo na história política do nosso Estado”, citou.
Caso direcionada a Miguel, a fala de Silvinho não é a primeira alfinetada do grupo entre si. Silvio Costa Filho também já afirmou que não pretendia utilizar o Senado como trampolim eleitoral, em uma indireta aparentemente direcionada para Marília Arraes (Solidariedade), que já disputou cargos ao Executivo em outros momentos.
Marília também já alfinetou os colegas ao dizer que o nome ao Senado precisava ser competitivo, não arrastado pelo candidato ao Governo. A ex-deputada federal tem os melhores índices nas pesquisas junto a Humberto Costa. Miguel normalmente vem em seguida e Silvio Costa Filho tende a ter os menores índices.