Após impasse no PT-PE com tensões públicas, Humberto Costa tenta acalmar ânimos

Humberto Costa admite possibilidade de antecipar a decisão sobre a eleição estadual de 2026, mas pede calma entre correligionários do PT. Grupo vive tensão

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 16/01/2026, às 07h38 - Atualizado às 08h25

Humberto e Lula sorrindo
Humberto Costa pede calma entre correligionários sobre posicionamento do PT para eleição de 2026 - Ricardo Stuckert / PR

Senador Humberto Costa (PT-PE) pede cautela a correligionários após dia de tensões internas no PT de Pernambuco sobre a definição da estratégia para a eleição estadual de 2026.

Parlamentar admite possibilidade de o PT antecipar decisão sobre o palanque em 2026, mas defende aguardar posição do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) nacional antes de qualquer movimento local.

Declaração de Humberto é interpretada como resposta à senadora Teresa Leitão, que vinha cobrando maior celeridade e debate regional sobre o posicionamento do partido em Pernambuco.

No mesmo dia, desentendimento entre João Paulo e o secretário Felipe Cury expõe racha após deputado defender três palanques para Lula em Pernambuco, incluindo o pré-candidato do PSOL Ivan Moraes.

Diante da crise, grupo majoritário do PT ligado ao prefeito João Campos avalia como provável a manutenção da aliança com o PSB em 2026 e alerta que apoio público a outros candidatos pode gerar processo por infidelidade partidária.

Após uma quinta-feira (15) com tensões entre lados diferentes do Partido dos Trabalhadores, o senador Humberto Costa (PT) se pronunciou sobre a situação e pediu cautela aos correligionários

A fala de uma das principais lideranças do PT em Pernambuco ocorreu depois que a senadora Teresa Leitão (PT) defendeu maior celeridade e uma discussão regional sobre a posição do Partido dos Trabalhadores na eleição estadual de 2026. 

Para o Blog Dellas, Humberto afirmou que não descarta um posicionamento mais antecipado do PT sobre o direcionamento para eleição estadual, mas que "é preciso conter a ansiedade. Tem muita gente ansiosa para resolver logo, mas é necessário aguardar a posição do GTE (Grupo de Trabalho Eleitoral)", grupo nacional que define o posicionamento do partido. 

A fala de Humberto seria uma resposta mais direta a Teresa Leitão, mas poderia ser um recado para os correligionários que expõem o racha no PT publicamente. 

Divergências entre Felipe Cury e João Paulo sobre apoio de Lula

Também na quinta, o deputado estadual João Paulo (PT) e o secretário de habitação do Recife, Felipe Cury (PT), entraram em tensão após João Paulo defender três palanques de Lula (PT) em Pernambuco. O deputado incluiu o ex-vereador do Recife e pré-candidato ao Governo do Estado pelo PSOL, Ivan Moraes, na lista dos que deveriam ter apoio do presidente da República. 

Com a repercussão, Cury fez uma nota, intitulada "nota em defesa de Lula", criticando nominalmente o correligionário. 

"João Paulo fala por si. Não fala pelo PT, não fala pela militância e não fala pelo campo progressista. O Partido dos Trabalhadores não pode aceitar conveniências que se sobreponham ao protagonismo de Lula, ao compromisso com a vitória do nosso projeto e melhoria da vida do nosso povo", disse o secretário de João Campos. 

PSB acredita no PT ao lado de João Campos

Apesar dos embates públicos, aliados de João Campos dentro do PT consideram como certa a manutenção da legenda na coligação do PSB em Pernambuco. Esse grupo se considera maioria na legenda no estado, além de supostamente estar alinhado com o diretório nacional. 

Alguns membros citam que, após um eventual direcionamento nacional em favor de João Campos, demonstrações públicas de aliança com outros candidatos poderão configurar como infidelidade partidária, transgressão passiva de expulsão do PT. 

Essa imposição sobre os direcionamentos nacionais já levaram a uma quase expulsão em Pernambuco. Na eleição de 2024, o então prefeito de Paulista Yves Ribeiro rejeitou o posicionamento do PT da cidade, que seguiu o direcionamento nacional de apoiar Júnior Matuto no segundo turno contra Severino Ramos (PSD). 

Como Yves apoiou Ramos desde o primeiro turno, o PT instaurou um processo de expulsão. Antes da votação, o prefeito de Paulista preferiu se desfiliar da legenda