Com entrega de antigos silos como moradias contemporâneas, no centro histórico, Recife avança no debate sobre como reocupar áreas centrais degradadas
por Jamildo Melo
Publicado em 16/01/2026, às 10h18 - Atualizado às 10h25
O retrofit dos antigos silos do Moinho Recife vai transformar estruturas industriais centenárias em edifícios residenciais no Bairro do Recife.
O projeto da Moura Dubeux, com entrega prevista para 2026, inclui os empreendimentos Silo 215 e Silo 240.
A intervenção preserva a memória arquitetônica e introduz moradia em uma área estratégica do Centro Histórico.
O desafio técnico envolveu engenharia avançada e reconstrução parcial das estruturas.
A iniciativa é vista como marco de reinvenção urbana e sustentabilidade na capital pernambucana.
A conclusão do retrofit dos antigos silos do Moinho Recife marca uma das mais simbólicas intervenções urbanas já realizadas no Centro Histórico da capital pernambucana.
O projeto, conduzido pela Moura Dubeux, vai transformar antigas estruturas industriais em empreendimentos residenciais, com a entrega dos edifícios Silo 215 e Silo 240 prevista para 2026, no Bairro do Recife.
Localizados em uma área estratégica, próxima ao Porto do Recife e ao polo de inovação do Porto Digital, os antigos silos estavam desativados desde 2009, quando foi encerrada a operação portuária ligada à moagem e ao armazenamento de trigo.
Em vez da demolição, a opção foi reinterpretar o patrimônio industrial como ativo urbano.
Segundo o CEO da Moura Dubeux, Diego Villar, a decisão foi estratégica e simbólica.
“A escolha pelo retrofit foi, acima de tudo, uma decisão de cidade. Transformar o passado em ativo para o futuro é o que permite ao Recife se reinventar sem perder sua identidade”, afirmou, em informe ao site Jamildo.com.
Para ele, a chegada de moradores ao Bairro do Recife ajuda a devolver vida cotidiana a uma área historicamente marcada pelo uso comercial e institucional.
Do ponto de vista técnico, o executivo ressalta que o projeto foi um dos maiores desafios de engenharia já enfrentados pela empresa.
“Trabalhamos com estruturas centenárias, sem documentação estrutural consolidada. Foi necessário usar escaneamento por nuvem de pontos e desenvolver soluções com precisão centimétrica”, explicou.
Em parte do Silo 240, segundo Villar, a estrutura precisou ser demolida e reconstruída para garantir segurança e desempenho.
O empreendimento também adotou princípios de sustentabilidade e economia circular. O reaproveitamento das estruturas evitou grandes volumes de resíduos e reduziu o consumo de novos materiais
. “Reutilizamos materiais no próprio território, reciclamos o aço e implantamos sistemas de captação de água da chuva ainda na fase de obra”, destacou o CEO.
Reconhecido em prêmios nacionais de engenharia e inovação, o projeto dos silos ultrapassou as fronteiras de Pernambuco e passou a ser citado como referência em requalificação urbana.
Diego Villar diz que o impacto vai além da arquitetura.
“A presença de moradores fortalece o comércio local, amplia o fluxo de pessoas e contribui para um bairro mais ativo e seguro”, disse.
"Com a transformação dos antigos silos em moradias contemporâneas, o Recife avança no debate sobre como reocupar áreas centrais degradadas, conciliando preservação histórica, sustentabilidade e novos usos urbanos".