Associação de jogos e loterias quer regulamentação de influenciadores contra mercado ilegal de apostas

Em audiência na Câmara, ANJL defende que Secretaria crie regras para publicidade online de apostas para proibir propagandas de sites ilegais

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 28/08/2025, às 12h06 - Atualizado às 12h38

Associação Nacional de Jogos e Loterias propõe regulamentar as ações de influenciadores com relação a sites de apostas que atuam ilegalmente no Brasil - Foto: Bruno Peres / Agência Brasil
Associação Nacional de Jogos e Loterias propõe regulamentar as ações de influenciadores com relação a sites de apostas que atuam ilegalmente no Brasil - Foto: Bruno Peres / Agência Brasil

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) defendeu, em audiência pública na Câmara dos Deputados na quarta-feira (27), a regulamentação da atividade de influenciadores digitais como uma estratégia para combater a publicidade de sites de apostas ilegais.

A proposta é que a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão do Ministério da Fazenda, inclua o tema em sua pauta de discussões ainda neste ano.

O diretor jurídico da ANJL, Pietro Cardia Lorenzoni, afirmou que o mercado ilegal de apostas supera atualmente o legal no país. Segundo ele, a falta de regras específicas para influenciadores permite a veiculação de propagandas nocivas, que ficam fora da fiscalização do Estado.

"Hoje temos influenciadores de aposta que fazem propagandas absolutamente danosas, que estão fora da fiscalização do mercado e do Estado. A SPA não fiscaliza. Isso é um problema relevante que a gente pode e precisa endereçar", disse Pietro.

Para dimensionar o problema, o diretor apontou que o mercado clandestino gera uma perda de arrecadação de R$ 6 bilhões a R$ 8 bilhões anuais. Em contrapartida, o mercado legal recolheu cerca de R$ 4 bilhões em impostos no primeiro semestre deste ano, com contribuições para áreas como esporte, turismo e saúde.

Proposta ocorre após CPI terminar sem relatório

O movimento da associação por uma regulação via Executivo ocorre após a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, no Senado, encerrar seus trabalhos sem conseguir aprovar um relatório final.

O texto rejeitado, de autoria da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), pedia o indiciamento de 16 pessoas, incluindo as influenciadoras Virgínia Fonseca e Deolane Bezerra, por crimes como estelionato e propaganda enganosa. O relatório também apresentava 20 propostas de projetos de lei, entre elas a proibição de jogos de azar para beneficiários do CadÚnico.

Enquanto a CPI não avançou, outra frente no Congresso discute o tema. Um projeto aprovado na Comissão de Esporte do Senado propõe restrições à publicidade de apostas, incluindo a proibição do uso de imagens de artistas e influenciadores em campanhas publicitárias.