Sintepe rejeita proposta do Governo Raquel e aumento dos professores continua indefinido

Na sexta (28), Sintepe rejeitou proposta de reajuste salarial do governo Raquel e deve ampliar pressão sobre o Governo de Pernambuco

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 29/03/2025, às 11h33

Professores recusaram proposta do governo Raquel para reajuste salarial - Pericles Chagas, João Carlos Mazella/Sintepe
Professores recusaram proposta do governo Raquel para reajuste salarial - Pericles Chagas, João Carlos Mazella/Sintepe

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) rejeitou, de forma unânime, a proposta de reajuste salarial apresentada pelo Governo do Estado na última rodada de negociações, realizada em 26 de março.

A decisão foi tomada durante assembleia-geral realizada na sexta-feira (28), no Teatro da Boa Vista, no Recife, que contou com a participação de mais de dois mil servidores da educação estadual.

A proposta do governo previa um reajuste de 6,27% para professores a partir de janeiro para aqueles que recebem abaixo do piso e a partir de setembro para os demais.

Já para analistas e administrativos, o reajuste proposto foi de 4,9%, também a partir de setembro.

O sindicato, no entanto, rejeitou os percentuais e defende a aplicação do índice de 6,27% para todos os trabalhadores da educação, além de um acréscimo de 50% para professores com formação superior ou licenciatura.

A presidente do Sintepe, Ivete Caetano, criticou a diferenciação nos reajustes e citou que a mudança prejudica a estrutura de carreira dos professores.

Primeiro, não aceitamos reajustes diferenciados entre professores, analistas e administrativos. Nossa categoria é uma só. Também alertamos o governo que o achatamento da carreira está insustentável e que é preciso a aplicação de um índice maior para trabalhadores em educação que têm licenciatura, especialização, mestrado e doutorado, visto que o Piso Nacional do Magistério é para quem cursou até o normal médio”, afirmou.

Reivindicações da categoria

A categoria definiu os parâmetros para campanha salarial em uma assembleia realizada em 10 de fevereiro.

Entre os 33 tópicos elencados, os profissionais exigiam que o aumento do piso atingisse todos os profissionais, tanto ativos e aposentados, quanto efetivos e contratados.

O sindicato reivindica um acréscimo de 50% para professores com nível superior, o que elevaria o piso de R$ 4.867,77 para R$ 7.301,65.

Para trabalhadores de nível médio, a solicitação é de um reajuste correspondente a 75% do valor do Piso Nacional do Magistério, ficando em R$ 3.650,82.

Vinculado com a questão do plano de carreira, o sindicato cobra a reformulação do Plano de Cargos, Carreira e Rendimentos (PCCR) e a incorporação da Gratificação de Função Técnico-Pedagógica ao vencimento dos analistas.

Não diretamente relacionado a com questões salariais, o Sintepe incluiu em suas solicitações a convocação dos 1.776 aprovados no concurso público de 2022 para o cargo de professor, além da chamada de todos que aguardam nomeação para os cargos de analistas e administrativos em gestão educacional.

Estrutura das escolas e mobilizações

Além das demandas empregatícias, o Sintepe feito mobilizações por um plano de climatização para todas as escolas estaduais até o fim de 2025, além de melhorias na merenda escolar.

O sindicato já definiu um calendário de mobilizações para pressionar sobre todas as demandas.

  • 9 de abril: protestos em unidades escolares do estado, no Dia Estadual de Mobilizações em Defesa da Escola Pública
  • 15 de abril: nova rodada de negociação com o governo, junto de atos em paralelo
  • 23 de abril: Paralisação Nacional da Educação
  • 24 de abril: assembleia-geral do Sintepe para avaliar pontos da campanha salarial