O Sindifisco informou que decidiu adiar para terça (24) a votação sobre possível greve após convite do Governo Raquel Lyra para negociação
por Jamildo Melo
Publicado em 19/03/2026, às 21h50 - Atualizado às 21h59
O Sindifisco-PE decidiu adiar para terça (24) a votação sobre possível greve após convite do Governo Raquel Lyra para negociação.
A reunião com a Casa Civil ocorre nesta sexta (20) e foi vista como avanço após meses de tentativas frustradas de diálogo.
O presidente Nilo Otaviano afirmou que a mobilização pressionou o governo a abrir negociação.
Apesar da expectativa de acordo, a categoria não descarta paralisação caso não haja avanços concretos.
O sindicato alerta que o enfraquecimento do Fisco pode comprometer a arrecadação e a capacidade de investimento do Estado.
O Sindifisco-PE, representante dos auditores fiscais e julgadores administrativo-tributários do estado, decidiu, por unanimidade, adiar para a terça-feira (24), durante nova Assembleia Geral Extraordinária (AGE), a votação sobre a deflagração de greve da categoria.
A resolução é fruto de convite do Governo Raquel Lyra, por meio da Secretaria da Casa Civil, para conversa que acontecerá nesta sexta-feira (20) sobre as reivindicações da classe.
Segundo a categoria, a abertura do diálogo é uma importante conquista do sindicato, que disse que vinha tentando, há meses, manter negociações para construção de soluções negociadas com a gestão estadual, mas não obteve sucesso diante da suposta política deliberada de desvalorização da Secretaria da Fazenda.
“A decretação de greve de qualquer categoria tem como objetivo trazer o outro lado para conversar. Felizmente, depois de muita discussão e publicações nos veículos de imprensa, antes da decretação que certamente seria aprovada hoje, o Governo nos chamou para conversar. Amanhã, participaremos da conversa com o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, e temos plena confiança de que chegaremos a um bom termo”, afirmou o presidente do Sindifisco-PE, Nilo Otaviano, em AGE realizada nesta quinta-feira (19) que contou com aproximadamente 400 participantes.
Nilo fez questão de deixar claro que, em caso de novas negativas do Governo, a categoria poderá decidir pela paralisação.
“Os auditores fiscais seguem firmes na defesa de um sistema tributário eficiente, justo e capaz de sustentar o desenvolvimento do Estado. Porém, acreditamos que quando a estrutura responsável por esse processo é enfraquecida, toda a sociedade sente os efeitos”, explicou.
"A condução da política fiscal do Estado, até agora, marcada por decisões unilaterais e falta de diálogo, acende um alerta sobre os riscos à arrecadação e à própria capacidade de investimento público. Não se trata de uma reivindicação isolada, mas de um debate estrutural sobre o funcionamento da Secretaria da Fazenda", defendem, em nota oficial, ao site Jamildo.com.
"Ao longo dos últimos meses, o Sindifisco-PE tem buscado, de forma responsável, abrir canais de negociação e construir soluções equilibradas. No entanto, o que se observou foi um cenário de esvaziamento institucional, com medidas que fragilizam a atuação dos auditores e comprometem a eficiência da máquina arrecadatória. Esse contexto gera insegurança e impacta diretamente a sustentabilidade financeira do Estado", acrescentam.
“Estamos apostando no entendimento com o governo, a partir da reunião de amanhã, de forma que, até a segunda-feira, cheguemos ao atendimento das questões principais do Fisco estadual. O momento atual exige responsabilidade fiscal e planejamento estratégico, pois a arrecadação deste ano servirá de referência futura para efeito de repasse de recursos do Fundo de Equalização de Receitas, com a implantação do IBS”, declarou Nilo Otaviano.