Nilo Otaviano: 'Com fisco no limite, silêncio do governo ameaça futuro de Pernambuco'

Nilo Otaviano, presidente do Sindifisco, defende abertura urgente de negociação, sob risco de prejuízos à arrecadação do Estado e à população

Nilo Otaviano | Publicado em 18/03/2026, às 17h24 - Atualizado às 17h40

Assembleia do Sindifisco
Pessoal da Secretaria da Fazeda ameaça aprovar greve nesta quinta-feira - Divulgação

Auditores fiscais de Pernambuco afirmam que chegaram ao limite diante da falta de diálogo com o governo Raquel Lyra.

Segundo o Sindifisco-PE, há meses a categoria diz buscar negociação sobre valorização e questões estruturais, sem resposta efetiva.

O presidente da entidade sindical da categoria fala que o enfraquecimento do Fisco pode comprometer a arrecadação e impacta serviços essenciais como saúde e educação.

Diante do cenário, os servidores estudam a possibilidade de greve como último recurso.

O autor defende abertura urgente de negociação, sob risco de prejuízos ao Estado e à população.

Por Nilo Otaviano, em artigo enviado ao site Jamildo.com

A categoria dos auditores fiscais e julgadores tributários de Pernambuco atingiu o seu ponto máximo de saturação. O sentimento de indignação que hoje percorre os corredores da Secretaria da Fazenda (Sefaz-PE) não é fruto de um descontentamento isolado, mas sim da forma como o Governo do Estado tem negligenciado a carreira responsável pelo 'alicerce financeiro' de Pernambuco.

Há meses, o Sindifisco-PE tem buscado, de forma reiterada e propositiva, canais de interlocução com a gestão da governadora Raquel Lyra.

O objetivo é claro: discutir problemas estruturais e medidas urgentes de valorização. No entanto, a resposta tem sido o "silêncio institucional" e a adoção de medidas que, na prática, fragilizam a fiscalização e a arrecadação estadual.

É preciso compreender que o enfraquecimento do Fisco não é uma questão meramente corporativa; é uma "ameaça direta à sociedade".

Quando a capacidade de fiscalização é reduzida, quem perde é o cidadão pernambucano. Menos recursos arrecadados significam menos investimentos em áreas vitais como "saúde, educação e segurança pública". Sem uma arrecadação eficiente e justa, o Estado perde o fôlego para realizar as transformações que a população tanto espera.

Diante da ausência de diálogo e do desmonte progressivo das condições de trabalho, a categoria agora estuda seriamente a "possibilidade de greve". Esta não é uma escolha desejada, mas sim o último recurso de quem se vê impossibilitado de exercer sua função essencial com a dignidade e o suporte necessários.

O governo ainda dispõe de tempo para evitar um colapso no atendimento e na arrecadação. No entanto, isso exige o abandono da postura de silêncio e a abertura imediata de uma "mesa de negociação real". Valorizar o Fisco é, acima de tudo, proteger o patrimônio e o futuro de todos os pernambucanos.

Nilo Otaviano é presidente do Sindifisco em Pernambuco.

PS: O site Jamildo.com mantém a tradição de abrir espaço ao contraditório