Metroviários cobram Raquel Lyra e Jader em visita ao Metrô Recife: "Trens usados são obsoletos"

Sindicato dos metroviários criticou o envio de trens usados para renovar a frota pernambucana. Ministro Jader Filho prometeu início de obras em 30 dias

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 17/01/2026, às 09h26 - Atualizado às 09h48

Com multidão ao redor, Raquel Lyra e Jader Filho falam com Luiz Soares. Ao fundo estrutura do Metrô Recife
Luiz Soares falou com Jader Filho e Raquel Lyra durante visita de políticos ao Metrô do Recife - Sindmetro

O Anúncio: Ministro Jader Filho prometeu início de obras no Metrô do Recife em 30 dias e investimento de quase R$ 500 milhões.

A Polêmica: A frota receberá 11 trens usados vindos de Belo Horizonte e Porto Alegre.

A Crítica: O sindicato (Sindmetro-PE) chamou os trens de "sucata" e alertou para incompatibilidade técnica e riscos de segurança.

O Confronto: O presidente do sindicato, Luiz Soares, confrontou a governadora Raquel Lyra e o ministro durante a visita, exigindo garantias contra a privatização.

Cenário: O metrô opera hoje com apenas 11 trens, longe dos 40 que já circularam, e perdeu mais da metade dos passageiros diários.

O ministro das Cidades, Jader Filho, e a governadora Raquel Lyra (PSD) vistoriaram o Metrô do Recife na sexta-feira (16).

Apesar da agenda técnica anunciar investimentos, o momento gerou tensão com os trabalhadores. Após o governo federal confirmar o envio de 11 trens usados de outros estados para recompor a frota local, o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) classificou a medida como um aprofundamento do sucateamento.

A visita ocorreu sob protestos da categoria. Segundo a direção do Sindmetro-PE, a agenda teve caráter de "surpresa" para evitar a mobilização dos servidores. Mesmo assim, o presidente da entidade, Luiz Soares, confrontou as autoridades sobre a qualidade dos equipamentos anunciados.

O plano do Ministério das Cidades transfere cinco composições da antiga CBTU de Belo Horizonte (MG) e outras seis da Trensurb de Porto Alegre (RS). Os veículos devem chegar ao Recife até junho deste ano.

"Estão mandando para o Recife composições usadas, verdadeiras sucatas. Esse governo corre o risco de ficar conhecido como o rei da sucata", disparou Luiz Soares durante o encontro.

Impasse técnico sobre os trens

O dirigente sindical alertou para a possível incompatibilidade das composições antigas com o sistema pernambucano. Soares citou diferenças nos sistemas operacionais e de sinalização entre as linhas locais (Sul e Centro) e as redes de origem dos trens.

Jader Filho rebateu as críticas no local. O ministro garantiu que técnicos da CBTU avaliaram todas as unidades e assegurou que o governo não agiria com irresponsabilidade ao trazer equipamentos sem condições de uso. O sindicato exigiu acesso aos relatórios técnicos dessa avaliação.

O sistema metroviário do Recife opera atualmente com apenas 11 trens. No passado, a frota chegou a contar com 40 veículos. A redução da frota derrubou o número de usuários de 400 mil para cerca de 150 mil passageiros diários.

Promessa de R$ 500 milhões e obras

Apesar das críticas, Jader Filho anunciou um pacote de investimentos de quase R$ 500 milhões para 2026. O montante inclui a recuperação do sistema, a aquisição das composições e a compra de novos ônibus para a integração.

O ministro prometeu o início das obras de recuperação em até 30 dias. A prioridade nos primeiros seis meses envolve o conserto de telhados, reformas em estações e melhorias em banheiros para minimizar transtornos no período chuvoso.

"A previsão é que nos próximos 30 dias a gente inicie já essas reformas. Esta semana já deve estar sendo feita a liberação dos recursos, porque nós temos pressa", afirmou Jader.

Empregos e Privatização

A visita também abordou o futuro dos funcionários da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). O Acordo Coletivo Especial da categoria vence em novembro e os trabalhadores temem demissões em caso de privatização ou estadualização do metrô.

O ministro afirmou verbalmente que os empregos "estariam garantidos", mas não detalhou os mecanismos legais para essa proteção. A governadora Raquel Lyra se comprometeu a agendar uma reunião específica com a direção do Sindmetro-PE para tratar do tema.