Gasolina sofreu alta recente após fechamento de canal responsável pela passagem de 20% do petróleo mundial; Procon-PE fiscalizou mais de 500 postos
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 19/06/2026, às 11h49 - Atualizado às 11h59
Com o panorama de reabertura do Estreito de Ormuz acontecendo nesta semana, o preço da gasolina vem sofrendo redução no Recife e no restante do estado e do país. O local é responsável pela passagem de 20% de todo o petróleo mundial,
Porém, o setor de postos de combustíveis no Estado de Pernambuco prevê que o ritmo na diminuição do preço final dos combustíveis tenha intensidade menor comparado ao aumento.
Foi o que defendeu Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do Sindicombustíveis-PE (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco). "A gente vê que o anúncio do acordo de reabertura do Estreito de Ormuz tem impacto imediato na negociação do barril de petróleo... Há tendência de baixa, mas, para voltar ao preço de antes, ainda tem um percurso", analisa.
Segundo o empresário, os conflitos registrados no Oriente Médio contribuíram para a destruição de refinarias espalhadas por países, como a Arábia Saudita, e auxiliam para uma queda mais devagar em comparação à alta no valor de mercado internacional do petróleo.
"Alguns especialistas com visão otimista especulam um prazo de 60 dias", afirmou. A situação ainda pode se agravar ainda mais, devido à possibilidade da existência de minas marítimas na via. De acordo com informações que circulam na imprensa internacional, documentos citados por autoridades iranianas preveem um prazo de até 30 dias para a retomada da navegação na região.
O preço da gasolina em Pernambuco, assim como no resto do país, sofreu alta com o fechamento do Estreito de Ormuz, após aumento das tensões entre os Estados Unidos, Israel e Irã. A alta foi motivada pelo aumento no preço do barril de petróleo no mercado internacional.
O reajuste no valor do combustível repercutiu e figuras políticas acionaram órgãos públicos para fiscalizar os postos que promoveram aumentos. Segundo o secretário-executivo do Procon-PE (Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor), Anselmo de Araújo Lima, mais de 500 postos foram fiscalizados no estado, com alguns sofrendo autuações e multas, as quais os empreendimentos recorrem na Justiça.
A ação do Procon-PE ocorreu, segundo o gestor público, somente em postos que subiram os preços por produtos adquiridos a valores anteriores. "Os repasses irregulares aconteceram tanto em distribuidoras como nos postos de combustíveis", disse o secretário.
"Eu levei uma autuação de R$ 150 mil. Recebi 72 centavos de aumento e aumentei 80. Toda vez que aumenta a gasolina, eu preciso aumentar o capital de giro, preciso de caixa. As pessoas têm a ideia de que só posso aumentar depois que aumentar o estoque", criticou o presidente do Sindicombustíveis-PE.