Quanto custa operar um posto de gasolina?

Entender o capital de giro é essencial para compreender o verdadeiro custo de operar um posto de combustíveis, por Arlindo Lins, CFO dos Postos Pichilau

Redação Jamildo.com

por Redação Jamildo.com

Publicado em 10/06/2026, às 11h59

Arlindo Lins é Chief Financial Officer e CFO dos Postos Pichilau. - Foto: Divulgação
Arlindo Lins é Chief Financial Officer e CFO dos Postos Pichilau. - Foto: Divulgação

Artigo escrito por Arlindo Lins, Chief Financial Officer e CFO dos Postos Pichilau, para a coluna Combustível em Movimento, do Sindcombustíveis-PE.

No Brasil, a Receita Federal permite que empresas optem por dois regimes de tributação: Lucro Real ou Lucro Presumido. Neste texto, excluí o Simples Nacional e o MEI, uma vez que o faturamento típico de um posto de combustíveis ultrapassa os limites permitidos por esses regimes.

No Lucro Presumido, a Receita presume que, na operação de revenda de combustíveis, o rendimento líquido é de 1,6% sobre o faturamento. Ou seja, o órgão fiscal entende, corretamente, que de cada R$ 100 faturados pelo posto, R$ 98,40 escoam em gastos com pessoal, aluguel, impostos e manutenção, entre outros, e apenas R$ 1,60 viram lucro líquido.

É com base nessa magra margem que quero falar sobre um conceito muito conhecido por quem opera postos, mas nem sempre bem compreendido: o capital de giro. Se no público leitor houver comerciantes, concordarão comigo que a vida seria mais fácil se todo comércio recebesse o recurso de suas vendas no mesmo dia em que paga seus fornecedores.

A realidade, porém, é outra: o comum é honrar compromissos durante dias ou semanas antes de receber dos clientes. Em um posto de gasolina, esse intervalo entre pagamentos e recebimentos costuma ser de 15 a 20 dias.

Para tornar esse prazo mais concreto: um posto com faturamento mensal de R$ 3 milhões e margem líquida de 1,6% gera cerca de R$ 48 mil de lucro por mês.

Com uma necessidade de capital de giro equivalente a 15 dias de compras de combustível aproximadamente R$ 1,5 milhão, o empreendedor precisaria de mais de 31 meses de lucro acumulado, ou seja, mais de 2 anos e meio, apenas para financiar o giro da operação, sem considerar nenhum outro investimento.

Sendo assim, respondendo à pergunta do título: operar um posto de gasolina exige investimentos relevantes em infraestrutura, cobertura, piso impermeável em concreto, estrutura de tanques subterrâneos, além de despesas que representam 98,4% do faturamento, segundo a própria Receita Federal.

O que este autor busca destacar é que, além de todos esses custos já mapeados, o aspirante a revendedor precisa estar preparado para comprometer mais de 2 anos de lucro apenas para bancar o capital de giro da operação.

Coluna exclusiva Combustível em Movimento, do Sindicombustíveis-PE, no site Jamildo.com. Leia mais!