"Precisamos sair daqui em segurança", diz pernambucana presa no Catar em meio a conflito no Oriente Médio

Advogada afirma ter tentado contato com o governo brasileiro durante três dias, porém, só foi respondida nesta segunda, após mobilização nas redes sociais

Otávio Gaudêncio

por Otávio Gaudêncio

Publicado em 03/03/2026, às 15h57

Imagem "Precisamos sair daqui em segurança", diz pernambucana presa no Catar em meio a conflito no Oriente Médio

Conflito no Oriente Médio leva ao fechamento do espaço aéreo.

Pernambucana fica retida em Doha durante conexão.

Companhia aérea oferece hospedagem e suporte.

Brasileira aguarda definição do governo para possível retirada.

Com o fechamento repentino do tráfego aéreo em países do Oriente Médio, devido ao conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã, brasileiros relatam estarem presos nos países da região.

O site Jamildo.com entrevistou a pernambucana e procuradora da Fazenda Nacional Roberta Couto, que está presa no Catar há três dias, junto com seu marido. 

A advogada conta que, durante o voo de ida de Bangkok (Tailândia), onde o casal passava férias, a Madrid (Espanha), havia uma conexão planejada na cidade de Doha, no Catar. Porém, ao aterrissar, a dupla foi avisada do início do conflito armado e do fechamento do espaço aéreo.

"Quando a gente desceu do avião, todos os telefones ficaram apitando mensagens de emergência, e o meu marido, que tava com internet no voo, tinha visto o ataque de Israel ao Irã", relata. 

Segundo Roberta, a Qatar Airways, empresa responsável pelo voo, oferece todo o suporte material necessário à família. "Nos colocaram em um hotel bom, com conforto e alimento. Nos trouxeram pra cá de transporte", diz.  

A procuradora afirma que buscou contato com a Embaixada Brasileira, mas que, nos três primeiros dias, não houve retorno. "Só mensagens automáticas, orientações genéricas de "fiquem abrigados"", relata. 

De acordo com ela, a família tentou contato pelos caminhos oficiais recomendados pela Embaixada, porém não teve sucesso. 

"Foram três dias de completo silêncio. Nenhum contato efetivo com a Embaixada Brasileira", afirma. 

Nas redes sociais, Roberta afirmou que sua irmã ligou para o Ministério das Relações Exteriores, porém, recebeu a resposta de que "o Itamaraty não é agência de turismo". 

"Ouvimos explosões enormes ontem à noite, a ponto de tremer o quarto", detalha. A advogada afirma que ouviu três bombas serem detonadas no primeiro dia. Porém, ela relata que, apesar dos bombardeios ocasionais, geralmente à noite, as pessoas aparentam viver normalmente. 

"Não imagino que a cidade esteja na sua normalidade, mas também não parece um filme de guerra. Tem carros nas ruas, as pessoas estão calmas", diz. 

Roberta conta que, no momento do desespero, chegou até a cogitar se deslocar para outras cidades próximas a Doha e que, segundo relatos de pessoas na mesma situação, ainda estavam com o tráfego aéreo em funcionamento. 

"A gente tava ouvindo histórias de pessoas que estavam indo de carro para cidades vizinhas, a 10 horas daqui, com espaço aéreo ainda aberto, e que estavam conseguindo sair do conflito", afirma. 

Ela também pontua que não se arriscou a fazer este tipo de movimento porque não conhece o local e porque temia possíveis encontros com "milícias ou células de terrorismo". "A orientação do governo do Catar é "fique em casa"", completa. 

Após diversas tentativas de contato com o governo brasileiro, a procuradora divulgou sua história nas redes sociais e conseguiu, com ajuda de colegas de trabalho e amigos, entrar em contato com o Estado Brasileiro. Ela afirma estar em contato direto com o embaixador brasileiro em Doha. 

Entretanto, ainda não há decisão definida. "A gente ta aguardando as informações oficiais. Pelo que eu entendi, o governo do Brasil ainda não considera que seja o melhor momento de retirar seus nacionais", diz. 

"Estou mais confiante de que algo está sendo planejado. Estão cientes de que não são só nos dois e que tem muitos brasileiros aguardando", finaliza.