CBTU afirma que composições vindas de Belo Horizonte serão usadas para evitar colapso operacional da Linha Sul
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 20/05/2026, às 18h46
Primeiro trem usado adquirido pela CBTU chegou ao Recife
Composição deve operar na Linha Sul em até 30 dias
Companhia afirma que medida evita risco de colapso operacional
Sindmetro-PE criticou compra e cobrou investimentos estruturais
O primeiro dos seis trens usados adquiridos pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos junto ao sistema metroviário de Belo Horizonte chegou ao Recife nesta quarta-feira (20). A composição será utilizada na Linha Sul do Metrô do Recife e integra uma estratégia emergencial adotada pela companhia para evitar o agravamento da crise operacional do sistema.
O trem, fabricado em 2002 e com 24 anos de uso, foi transportado até o Posto Pichilau, na BR-232, em Jaboatão dos Guararapes, de onde seguirá para o sistema metroviário. Segundo a CBTU, a composição deve entrar em operação em até 30 dias, após etapas de montagem, testes operacionais e treinamento das equipes. O trem não possui sistema de ar-condicionado. O custo da aquisição foi de R$ 10 milhões.
A compra dos seis trens foi viabilizada por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado com o Ministério das Cidades. O instrumento permite o repasse de créditos orçamentários entre órgãos federais.
De acordo com a superintendente da CBTU em Pernambuco, Marcela Campos, a medida foi definida após estudos internos apontarem risco de paralisação da Linha Sul diante da deterioração da frota atual.
“A gente, com a chegada desse primeiro trem, está concretizando o que vem sendo trabalhado desde o fim do ano passado, quando surgiu essa estratégia para evitar um colapso na Linha Sul, onde hoje existe uma defasagem de material rodante. Então, estamos muito felizes em concretizar isso com a chegada desse primeiro trem”, afirmou à imprensa.
Segundo ela, as composições chegaram praticamente prontas para operação, faltando apenas o processo de comissionamento.
“A expectativa é que ele entre em operação nos próximos 30 dias, porque todos os trens chegaram revisados, adesivados e praticamente prontos para operar. Falta apenas a etapa de comissionamento, que envolve a remontagem, a colocação dos truques e o treinamento dos operadores. Então, a estimativa é que, em cerca de 30 dias, eles já estejam circulando na Linha Sul”, disse.
O gerente-geral da Coordenação de Programas da CBTU, Adalberto Siqueira, afirmou que levantamentos técnicos indicaram risco de colapso operacional da Linha Sul até 2027 caso nenhuma medida emergencial fosse adotada.
“Quando a gente fala em colapso da Linha Sul, é porque o nosso estudo demonstrou, pela degradação da frota, que, se a gente não trouxesse trens até abril de 2027, não haveria condições de operar a Linha Sul. Quem acompanha a ferrovia sabe que, depois que uma linha para, é muito difícil voltar a operar”, declarou.
De acordo com a CBTU, os veículos adquiridos em Belo Horizonte estão entre os mais novos da frota do sistema mineiro. Atualmente, os trens da Linha Sul do Recife têm cerca de 40 anos de uso.
“Os trens que estamos trazendo são os mais novos da frota deles. Este trem aqui é de 2002. Então, é um trem com 24 anos, uma realidade muito diferente dos trens que hoje operam na Linha Sul, que têm 40 anos. Em termos de vida útil, já existe um ganho muito significativo”, afirmou Adalberto Siqueira.
A previsão da CBTU é receber outras cinco composições até setembro. O cronograma prevê a chegada de um novo trem em junho, outro em julho, um em agosto e dois em setembro. A empresa também negocia a ampliação do acordo para receber mais cinco trens, totalizando 11 composições transferidas de Belo Horizonte.
Atualmente, o Metrô do Recife opera com 17 trens em circulação. Em 2015, o sistema contava com 40 composições em operação.
Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira, o Sindmetro-PE criticou a compra das composições vindas de Belo Horizonte e afirmou que não participou do evento organizado para recepcionar os trens.
O sindicato declarou ser contrário à aquisição desde o anúncio inicial e afirmou que os veículos não atendem adequadamente às necessidades do sistema metroviário pernambucano.
Na manifestação, a entidade também criticou a ausência de ar-condicionado nas composições e afirmou que o problema estrutural do metrô do Recife não será solucionado apenas com medidas emergenciais.
“O problema do metrô no Recife não se resolve com festa e nem com gambiarras. O Sindmetro-PE está e sempre esteve ao lado da população por um transporte público de qualidade”, afirmou a entidade em trecho da nota.
O sindicato também voltou a cobrar investimentos estruturais no sistema e atribuiu o cenário atual a anos de falta de manutenção e de recursos para modernização da malha metroviária.
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