CBTU descarta 4 de 5 trens do RS para o Recife; Sindmetro alega que ação veio após críticas da categoria

Companhia reprovou quatro dos cinco trens gaúchos por falhas técnicas graves. Sindmetro-PE alega que ação ocorre após críticas da categoria

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 07/05/2026, às 12h13 - Atualizado às 12h33

Imagem de trens transitando entre os trilhos no Recife. Na imagem é possível ver três veículos circulando nos trilhos
Maioria dos trens usados do RS foram rejeitados pela CBTU por condições inviáveis de recuperação - Divulgação

A CBTU reprovou quatro locomotivas do Rio Grande do Sul após identificar desgaste crítico em rodas e sistemas de suspensão.

O Sindmetro-PE já havia alertado sobre o estado precário das máquinas em denúncia protocolada no dia 29 de abril.

O reforço do sistema será reduzido para sete trens, sendo seis vindos de Belo Horizonte com investimento de R$ 60 milhões.

A primeira unidade mineira chega na próxima semana e deve operar na Linha Sul, que corre risco de colapso técnico em 2027.

O sindicato denuncia suposto sobrepreço na transação e sustenta que a fragilização do serviço visa acelerar o processo de privatização.

A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) descartou oficialmente quatro das cinco locomotivas que seriam transferidas de Porto Alegre para o Recife.

A decisão ocorreu na segunda-feira (04), após vistorias nas oficinas da Trensurb. O relatório confirmou falhas estruturais que tornavam a recuperação das máquinas inviável economicamente para o sistema pernambucano.

O descarte das unidades gaúchas ocorre após os alertas feitos pelo Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE).

No dia 29 de abril, a entidade protocolou uma denúncia no Ministério das Cidades apontando o estado de sucateamento dos equipamentos. Para o sindicato, a tentativa de reforçar a frota com máquinas desgastadas não resolveria a crise e poderia aprofundar o déficit operacional.

Em vídeo, o presidente do Sindmetro-PE, Luis Soares, criticou a compra de itens usados para o Metrô do Recife e afirmou que o resultado da vistoria estaria vinculada com as críticas dos metroviários.

"Isso é fruto da nossa denúncia e vamos denunciar nos órgãos de controle e vamos continuar denunciando. Nós não vamos aceitar o que está sendo promovido para o metrô do Recife. O metrô do Recife precisa de composições novas, recuperar as subestações, recuperar a via e recuperar as redes aéreas e trazer novas máquinas para a gente fazer com que todos a manutenção do sistema", relatou o líder da categoria. 

Dez técnicos participaram da inspeção e identificaram três problemas centrais nas composições de Porto Alegre:

  • O desgaste crítico das rodas
  • A falta de confiabilidade nos compressores
  • Necessidade de substituição completa do sistema de suspensão pneumática.

Segundo a CBTU, apenas uma composição apresentou condições adequadas para uso. O transporte deste único trem ainda não tem um prazo para ocorrer.

Além desses itens, há as seis locomotivas compradas de Belo Horizonte. O investimento federal para essa aquisição é de R$ 60 milhões, com recursos do Novo PAC.

A primeira dessas unidades deve chegar ao Recife entre os dias 15 e 19 de maio. O cronograma técnico prevê a entrega das outras cinco locomotivas mineiras entre junho e setembro, com a previsão de entrada total em operação para novembro.

Em fala sobre o tema,  Luiz Soares, afirmou que a compra de equipamentos com tecnologia de 30 anos haveria indícios de sobrepreço.

A categoria alega que o sucateamento progressivo do metrô seria um pretexto para facilitar a concessão do serviço à iniciativa privada.

Estudos internos da companhia indicam que a Linha Sul do Metrô do Recife tem sobrevida estimada apenas até abril de 2027. O governo federal justifica que o uso de trens usados é uma solução emergencial para evitar a paralisação do transporte até o fim da transição para estadualização do transporte.