Estudo diz que impacto ambiental do Arco Metropolitano será compensado por queda nas emissões veiculares

Estudo citado por governista indica que redução de emissões com menor congestionamento pode superar impacto ambiental da obra do Arco Metropolitano

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 06/01/2026, às 14h58

Imagem Estudo diz que impacto ambiental do Arco Metropolitano será compensado por queda nas emissões veiculares

Governo de Pernambuco afirma ter estudo que compara emissões e desmatamento

DER confirma análise e diz que obra tem licenciamento e monitoramento ambiental

Ordem de serviço do Trecho Sul foi assinada em dezembro, com investimento estadual

Trecho Norte enfrenta desafios por passar pela APA Aldeia-Beberibe

Arco Metropolitano do Recife avançou para a fase de execução no final de 2025. A obra se arrastou por anos devido aos debates ambientais e técnicos. Apuração feita sob reserva junto a integrantes do Governo de Pernambuco aponta que estudos conduzidos pelo próprio Estado indicam que a redução de emissões de gases poluentes, decorrente da diminuição de congestionamentos e do redirecionamento do tráfego pesado, tende a superar o impacto ambiental causado pelo desmatamento necessário para a implantação da rodovia.

Segundo a avaliação do governista, o estudo considerou projeções de fluxo viário, tempo de deslocamento e volume de veículos pesados retirados dos trechos urbanos da Região Metropolitana do Recife. A consideração sustenta que a retirada de caminhões das áreas densamente povoadas reduziria emissões contínuas de poluentes, além de impactos indiretos associados ao tráfego lento, como aumento do consumo de combustível e maior concentração de material particulado.

Após a apuração, o Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER-PE) confirmou a existência do estudo e encaminhou nota técnica na qual afirma que o empreendimento está sendo executado em conformidade com a legislação ambiental vigente, com licenciamento regular e monitoramento permanente.

Procurado pela reportagem, o engenheiro civil e presidente do DER-PE, André Fonseca, confirmou a existência do estudo que embasa a avaliação do governo sobre os impactos ambientais do Arco Metropolitano. O dirigente, no entanto, não entrou em detalhes técnicos sobre a metodologia ou os parâmetros utilizados na análise.

RAQUEL LYRA ARCO

Estudo embasa estratégia para justificar impactos da obra

Em nota, o DER-PE informou que o Arco Metropolitano possui Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) aprovados, além de licença ambiental emitida pelos órgãos competentes. O departamento afirma ainda que a obra é acompanhada por uma equipe técnica multidisciplinar responsável pelo cumprimento integral das condicionantes ambientais estabelecidas no licenciamento.

De acordo com o órgão, os benefícios previstos incluem redução de emissões atmosféricas, diminuição da poluição veicular, menor incidência de congestionamentos e aumento da fluidez do tráfego pesado na Região Metropolitana. O DER-PE sustenta que o projeto é regularmente licenciado e classificado como estratégico para a mobilidade e o desenvolvimento regional.

O Arco Metropolitano está sendo executado com total responsabilidade socioambiental, em conformidade com toda a legislação vigente”, informou o departamento, acrescentando que o monitoramento ambiental ocorre de forma contínua durante a execução da obra.

A discussão sobre impactos ambientais ganhou força diante do traçado previsto para o empreendimento, especialmente nos trechos que atravessam áreas sensíveis do ponto de vista ecológico. O governo estadual tem defendido que as medidas de mitigação e compensação ambiental previstas no projeto atendem às exigências legais e técnicas.

Ordem de serviço marca retomada de projeto

 Charles Maia (diretor operacional da Azevedo), Marcos Vinicios (diretor da KPE Engenharia) e Guilherme Lago (diretor de Infrestrutura da Dois A Engenheria) comemoram ordem de serviço do Arco Metropolitano ao lado da governadora Raquel Lyra

A ordem de serviço para o início das obras do Arco Metropolitano foi assinada pela governadora Raquel Lyra (PSD) em 12 de dezembro, em solenidade realizada no município de Moreno, na Região Metropolitana do Recife. O ato marcou o início da execução do Trecho Sul da rodovia, considerado o primeiro segmento efetivamente colocado em obras.

O investimento estadual previsto para o Trecho Sul do Arco Metropolitano é de R$ 631 milhões. O segmento autorizado compreende 25,5 quilômetros de uma nova rodovia que ligará a BR-232, em Moreno, ao Cabo de Santo Agostinho e ao Complexo Industrial Portuário de Suape, funcionando como alternativa à BR-101 para o escoamento de cargas.

A estratégia de execução prevê duas frentes simultâneas de trabalho, com canteiros instalados em Moreno e no Cabo de Santo Agostinho, permitindo o avanço das equipes em sentidos opostos até o encontro no ponto central do traçado. A previsão do governo estadual é concluir esse trecho até o final de 2026.

O objetivo do projeto é retirar cerca de 80% do fluxo de caminhões pesados que atualmente circulam pelos centros urbanos da Região Metropolitana do Recife, com impacto direto na fluidez do tráfego, na logística industrial e no acesso ao Porto de Suape.

O Trecho Sul, também identificado como Lote 2, é dividido em dois subtrechos. O primeiro, sob responsabilidade do governo estadual, como mencionado acima. O segundo, que liga a BR-408 à BR-232, será executado pelo Governo Federal, com custo estimado em R$ 500 milhões, chamada de Lote 1B, que deve ser licitada entre janeiro e fevereiro, , com recursos do Governo Federal. Segundo ela, há diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e parceria com o ministro da Pesca, André de Paula (PSD), para viabilizar o financiamento.

Durante o evento, a governadora alfinetou o antecessor no Palácio do Campo das Princesas, Paulo Câmara (PSB), e destacou que o projeto atravessou gestões anteriores sem sair do papel. “Teve gente que teve oportunidade de fazer, mas não decidiu fazer. Nós fizemos. Agora as máquinas estão na pista”, afirmou.

Por atravessar majoritariamente áreas de canavial, o trecho estadual é considerado de execução menos complexa, sem grandes desapropriações ou remoção de famílias. “Nesse primeiro trecho, não existem grandes desapropriações a serem feitas, não tem população a ser desmobilizada, o que agiliza bastante o andamento dos trabalhos”, declarou Raquel Lyra.

Projeto inicial do Arco Metropolitano, em 2013

Raquel Lyra também projetou aceleração no ritmo das entregas da gestão. “Ninguém segura Pernambuco”, finalizou a governadora, ao tratar do cronograma de obras estruturadoras no Estado.

Traçado, execução em etapas e desafios ambientais no Trecho Norte

Já o Trecho Norte, de competência federal, concentra os principais desafios ambientais e técnicos. O traçado previsto alcança a região de Goiana, onde está instalada a fábrica da Jeep, e inclui passagem pela Área de Proteção Ambiental (APA) Aldeia-Beberibe. O projeto enfrenta questionamentos por envolver área ambientalmente sensível, o que exige soluções específicas.

Segundo o governo estadual, a proposta é adotar tecnologias consideradas de menor impacto e implementar medidas de compensação ambiental para garantir a conservação da APA, em conformidade com as exigências legais e os estudos técnicos apresentados.