Amupe reúne prefeitos e Raquel Lyra em Assembleia com foco em concessão da Compesa

Encontro da Amupe em Gravatá detalhará como funcionará o repasse da outorga de R$ 4,2 bilhões aos municípios após leilão parcial da Compesa

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 19/01/2026, às 07h24 - Atualizado às 07h57

Homens de terno sentados em mesa. um deles fala no microfone, ao fundo logo da AMUPE
Último evento da Amupe em 2025

O Evento: Amupe realiza assembleia em Gravatá nesta terça-feira (20) com a presença da governadora Raquel Lyra.

A Pauta: Prefeitos discutirão os detalhes da concessão da Compesa e a divisão dos recursos da outorga.

O Leilão: O consórcio Acciona/BRK e o fundo Pátria venceram a disputa, prometendo R$ 19 bilhões em investimentos.

O Dinheiro: O valor da outorga somou R$ 4,2 bilhões, montante que será partilhado entre Estado e municípios.

O Modelo: A Compesa segue produzindo a água, enquanto as empresas privadas assumem a distribuição e o saneamento básico.

A Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) realiza a primeira Assembleia Extraordinária de 2026 na terça-feira (20). O encontro acontece a partir das 9h no Hotel Canariu’s, em Gravatá, no Agreste, e reúne prefeitos e prefeitas de todo o estado.

A pauta principal será a concessão dos serviços da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). A governadora Raquel Lyra (PSD) confirmou presença no evento para detalhar o processo aos gestores municipais.

O presidente da Amupe, Marcelo Gouveia (Podemos), adiantou que o foco será explicar como ocorrerão os investimentos e os repasses de recursos para as prefeituras. A expectativa dos gestores é sobre a distribuição dos valores arrecadados no leilão de dezembro.

O resultado do leilão

O leilão parcial da Compesa definiu investimentos com cerca de R$ 19 bilhões para os próximos 35 anos em dois blocos regionais.

O consórcio formado por Acciona e BRK Ambiental venceu o lote Pajeú, que abrange 151 municípios, já o fundo Pátria Investimentos arrematou o bloco Sertão, composto por 24 cidades.

As propostas vencedoras somaram cerca de R$ 4,2 bilhões em outorgas. Esse valor funciona como uma espécie de entrada paga pela iniciativa privada com divisão entre o Estado e os municípios.

Segundo o secretário de Recursos Hídricos e Saneamento, Almir Cirilo, a divisão dos recursos considera critérios populacionais. Os gestores municipais devem aplicar a verba obrigatoriamente em investimentos de infraestrutura.

Divisão de responsabilidades com concessão parcial da Compesa

O modelo de concessão mantém a Compesa como uma empresa pública. A estatal continuará responsável pela produção de água e pela venda do insumo tratado às concessionárias.

As empresas privadas assumem a operação da distribuição de água, além da coleta e do tratamento de esgoto nos municípios. A meta contratual prevê atingir 99% de cobertura no abastecimento de água e 90% de atendimento por rede de esgotamento sanitário até 2033.

Em discurso após o leilão, Raquel Lyra classificou a concessão como necessária para enfrentar desigualdades históricas.

"Hoje é o início de uma nova etapa. Ainda há cidades que nunca tiveram água tratada e famílias que precisam escolher entre comprar água ou comida. Isso é inadmissível", declarou a governadora na ocasião.

Metas imediatas

As concessionárias terão obrigações iniciais como apresentar um plano de combate à intermitência no prazo de até 180 dias após o início das operações. O documento deverá priorizar os municípios que vivem em regime de racionamento.