Lideranças judicializam aumento da tarifa de ônibus na gestão Raquel Lyra

Representações protocoladas no Ministério Público de Pernambuco questionam legalidade da reunião do Conselho de Transporte para aumento da tarifa de ônibus

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 17/01/2026, às 12h23 - Atualizado às 12h59

Terminal do Aeroporto com placa do Grande Recife e de identificação
Reprodução- Grande Recife

A Decisão: O Conselho de Transporte aprovou aumento de 4,46% nas passagens, elevando o anel A para R$ 4,50.

Denúncia 1: Ivan Moraes (PSOL) acionou o MPPE alegando que mandatos de conselheiros estão vencidos há anos, invalidando a votação.

Denúncia 2: O deputado Romero Albuquerque pediu anulação por desrespeito ao prazo regimental de 10 dias para análise de documentos.

Denúncia 3: A Frente de Luta pelo Transporte vai judicializar o caso, citando "violações legais e democráticas" e falta de tempo para análise técnica.

Justificativa: O Governo alega que o reajuste repõe a inflação e que subsidia o sistema com R$ 500 milhões para evitar uma tarifa maior.

Representantes políticos e movimentos sociais acionaram o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) nesta sexta-feira (16) para contestar o aumento das tarifas de ônibus na Região Metropolitana do Recife.

As denúncias apontam supostas irregularidades no processo de votação do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), que aprovou o reajuste de 4,46% na última quinta-feira (15).

Dentre os políticos que apresentaram representação contra o aumento estão o pré-candidato ao Governo de Pernambuco e ex-vereador, Ivan Moraes (PSOL) e o deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil). Outros movimentos específicos da categoria também pediram revisão do aumento. 

Em seu processo, Ivan Moraes questiona a legitimidade dos conselheiros que participaram da decisão. Segundo a representação de Moraes, parte do colegiado estaria com mandatos vencidos, já que as conferências para renovação dos membros não ocorrem há oito anos, desrespeitando a periodicidade legal de quatro anos.

"A passagem de ônibus está sendo aumentada por um conselho que não passa por renovação democrática há quase uma década. Isso fere a lei e esvazia completamente a participação popular", afirmou Ivan Moraes.

Já o deputado estadual Romero Albuquerque solicitou a anulação da reunião alegando desrespeito aos prazos regimentais. O parlamentar argumenta que os documentos técnicos para análise do reajuste foram disponibilizados apenas três dias antes do encontro, quando o regimento interno do CSTM exige antecedência mínima de dez dias.

"Isso é falta de transparência e falta de respeito com o povo. A passagem sobe, sem debate e respeito às regras", criticou Romero, que também apontou possível conflito de interesses na abstenção de conselheiros ligados ao governo.

Frente de Luta também vai à Justiça

A Frente de Luta pelo Transporte Público, coordenada pelo advogado e conselheiro do Conselho Superior de Transporte Metropolitano, Pedro Josephi, anunciou que também judicializará a questão. O grupo corrobora a denúncia sobre o descumprimento do prazo de dez dias para análise das planilhas de custos.

"Os documentos só foram disponibilizados aos conselheiros na última terça-feira (13), impedindo uma análise diligente. A própria pauta da reunião foi informada posteriormente", diz a nota da entidade, que classificou a condução do governo como "autoritária".

O aumento da tarifa de ônibus 

O CSTM aprovou o reajuste que eleva o Bilhete Único de R$ 4,30 para R$ 4,47 (arredondado para R$ 4,50, pendente de homologação pela Arpe). A medida deve entrar em vigor em fevereiro.

O Grande Recife Consórcio de Transporte justifica que a tarifa técnica necessária para cobrir os custos do sistema seria de R$ 6,14. Segundo o órgão, o Governo de Pernambuco aporta cerca de R$ 500 milhões em subsídios para conter o preço final ao usuário, além de conceder isenções fiscais.

A votação contou com 14 votos favoráveis, cinco contrários e três abstenções.