Raul Jungmann ocupou quatro ministérios nos governos FHC e Temer. Ele tratava um câncer e presidia o Instituto Brasileiro de Mineração
por Cynara Maíra
Publicado em 19/01/2026, às 06h41 - Atualizado às 07h12
O Fato: Morreu Raul Jungmann, aos 73 anos, em Brasília, vítima de câncer no pâncreas.
Carreira: Foi ministro do Desenvolvimento Agrário (FHC), da Defesa e da Segurança Pública (Temer). Também foi deputado federal e vereador.
Atuação Recente: Presidia o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) desde 2022.
Repercussão: A governadora Raquel Lyra, o ex-presidente Michel Temer, o senador Renan Calheiros e ministros do governo Lula lamentaram a perda.
Histórico: Iniciou na esquerda (PCB), participou das Diretas Já e se destacou pela articulação política e gestão de crises.
O ex-ministro Raul Jungmann faleceu neste domingo (18), aos 73 anos, em Brasília. Ele estava internado no hospital DF Star, onde realizava tratamento contra um câncer no pâncreas. Pernambucano do Recife, Jungmann dedicou mais de cinco décadas à vida pública e ocupou cargos no Executivo federal e no Legislativo.
O velório ocorrerá em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos, atendendo a um desejo do próprio político. Ele deixa esposa e dois filhos.
Jungmann presidia o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). A entidade destacou em nota que ele comandou o setor em um momento decisivo e deixará um legado de "visão estratégica, capacidade de articulação e diálogo".
A morte do ex-ministro gerou reações entre lideranças de diferentes espectros políticos. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), divulgou nota de pesar e ressaltou a dedicação de Jungmann ao estado e ao país.
"Recebi com pesar a notícia do falecimento do ex-ministro, ex-deputado federal e ex-vereador do Recife, Raul Jungmann, que teve uma vida pública dedicada a Pernambuco e ao Brasil", afirmou a gestora.
O senador Renan Calheiros (MDB) lamentou a perda do amigo e classificou Jungmann como "um dos maiores pensadores e formuladores da nação". O ex-presidente Michel Temer (MDB), de quem foi ministro duas vezes, declarou que ele "soube servir ao país".
No campo da esquerda, o ministro do Desenvolvimento Agrário do governo Lula, Paulo Teixeira (PT), exaltou o "espírito democrático" de Jungmann. O presidente do PSB de Pernambuco, deputado Sileno Guedes, lembrou a trajetória do conterrâneo como vereador e deputado.
Em nota, o prefeito do Recife, João Campos, disse ter recebido “com tristeza” a notícia do falecimento do ex-ministro Raul Jungmann e afirmou que o pernambucano deixa uma trajetória marcada pelo diálogo e pelo serviço ao país.
Já o presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto, destacou a passagem de Jungmann pelos ministérios da Reforma Agrária, Defesa e Segurança Pública, bem como pelos mandatos na Câmara dos Deputados, e ressaltou seu preparo intelectual, a capacidade de articulação e o compromisso com Pernambuco e com o Brasil.
Raul Jungmann iniciou a militância política durante a ditadura militar. Filiou-se ao MDB e posteriormente ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Foi um dos fundadores do PPS, atual Cidadania.
Sua projeção nacional ocorreu no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Jungmann comandou o Ibama e, em seguida, assumiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário, pasta responsável pela reforma agrária em um período de fortes tensões no campo.
Nos governos de Michel Temer, voltou à Esplanada dos Ministérios. Foi ministro da Defesa e tornou-se o primeiro titular do Ministério da Segurança Pública, pasta criada em 2018. Nesse período, coordenou a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro e articulou a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
Como parlamentar, exerceu três mandatos como deputado federal e presidiu a Comissão de Segurança Pública da Câmara. Raul também foi vereador do Recife.