Acadêmicos de Niterói leva trajetória de Lula à avenida; Presidente foi ovacionado pela arquibancada

Escola abre Grupo Especial com enredo sobre trajetória do presidente, que foi ovacionado; Justiça Eleitoral mantém desfile e ações seguem em análise

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 16/02/2026, às 06h27

Lula é o homenageado pela Acadêmicos de Niterói no Carnaval 2026
Lula é o homenageado pela Acadêmicos de Niterói no Carnaval 2026 - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Acadêmicos de Niterói homenageou Lula na Sapucaí.

Adversários questionaram possível propaganda eleitoral antecipada.

TRF-2 e TSE negaram liminares para impedir o desfile.

Presidente acompanhou apresentação do camarote da Prefeitura do Rio.

A escola de samba Acadêmicos de Niterói abriu os desfiles do Grupo Especial na noite deste domingo (15), no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A apresentação homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e percorreu episódios de sua trajetória pessoal e política.

O desfile abordou desde a infância em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, passando pela atuação no movimento sindical no ABC Paulista, até a chegada à Presidência da República. A narrativa destacou temas como superação da pobreza, combate à fome e ascensão social, além de referências simbólicas associadas ao Partido dos Trabalhadores (PT), como a estrela nos figurinos e o número 13 ao longo do enredo.

As atrizes Dira Paes e Juliana Baroni representaram Dona Lindu, mãe do presidente, e Marisa Letícia, segunda esposa de Lula. O humorista Paulo Vieira interpretou o chefe do Executivo federal na encenação apresentada na avenida.

A letra do samba também citou nomes ligados à resistência política e à defesa de direitos humanos, como Zuzu Angel, Henfil, Vladimir Herzog, Rubens Paiva e Betinho. O refrão final trouxe menção direta ao presidente e ao Brasil.

Críticas aos samba-enredo

A homenagem motivou questionamentos de adversários políticos, sob o argumento de que o desfile poderia configurar propaganda eleitoral antecipada, uma vez que Lula já mencionou que será candidato à reeleição neste ano.

Entre as alegorias apresentadas, uma delas retratou a transição presidencial recente, incluindo a posse de Dilma Rousseff, o impeachment que levou Michel Temer ao cargo e a eleição de Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente, que cumpre pena em Brasília desde novembro de 2025, foi representado por um personagem associado ao apelido “Bozo”, utilizado por críticos.

Outro carro alegórico exibiu a imagem de um palhaço atrás de grades, elemento interpretado por apoiadores do ex-presidente como referência direta a Bolsonaro. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comentou a alegoria nas redes sociais. “Só pra registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião”, escreveu.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também criticou o desfile. “Se esse desfile fosse em 2022: Bolsonaro estaria preso, busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e inelegibilidade vitalícia”, afirmou.

No campo jurídico, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) rejeitou pedido de liminar apresentado por Valdenice de Oliveira Meliga, ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que buscava impedir a apresentação da escola. Em decisão proferida em regime de plantão, o desembargador Ricardo Perlingeiro avaliou que eventuais danos não seriam irreversíveis e que a análise sobre possível uso irregular de recursos públicos pode ocorrer posteriormente.

Na quinta-feira (12), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também negou liminares protocoladas pelos partidos Novo e Missão, que solicitavam o cancelamento da homenagem. A maioria dos ministros acompanhou o voto da relatora, ministra Estela Aranha, ao considerar que, em exame preliminar, não houve pedido explícito de voto, requisito central para caracterização de propaganda eleitoral antecipada.

Os magistrados ressaltaram que o indeferimento das liminares não impede o prosseguimento da ação e que eventual apuração poderá resultar em responsabilização, caso sejam identificados abuso de poder político ou econômico. A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, afirmou que o cenário exige cautela. “Não parece ser um cenário de areias claras de uma praia, parece mais areia movediça. Quem entra entra sabendo que pode afundar”, declarou. O Ministério Público foi intimado a se manifestar.

Cautela na participação dos aliados

Raquel Lyra aponta para bandeira de Pernambuco pequena que Janja segura. Lula e João Campos sorriem. Ao fundo multidão embaixo. Todos usam roupas carnavalescas
Lula e Janja estão entre João Campos e Raquel Lyra no Galo da Madrugada - Miva Filho/Secom

Diante das ações judiciais e da repercussão política, o Palácio do Planalto orientou ministros a não desfilarem na avenida. A recomendação buscou evitar interpretações de participação institucional em evento com possível conotação eleitoral.

A primeira-dama, Janja da Silva, chegou a ser cogitada para integrar o último carro alegórico, ao lado de artistas identificados como apoiadores do presidente, mas não participou da apresentação.

Lula acompanhou o desfile do camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD) e de integrantes do governo federal. Estiveram presentes os ministros Alexandre Padilha (Saúde), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), além do deputado federal Lindbergh Farias, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Ao aparecer na fachada do camarote, o presidente foi recebido com aplausos e gritos de apoio por parte do público presente na Sapucaí. Ele acenou aos foliões antes do início do desfile da Acadêmicos de Niterói e voltou a ser aplaudido na entrada da escola na avenida. Em frente ao camarote, um folião exibiu faixa relacionada à campanha presidencial de 2022.

Com a agenda na Sapucaí, Lula encerrou compromissos de Carnaval que incluíram passagem pelo Recife, onde acompanhou o desfile do Galo da Madrugada, e por Salvador, na Bahia, para acompanhar os trios elétricos.