Projeto prevê rede nacional de hospitais inteligentes no SUS, com financiamento de R$ 1,7 bilhão do Banco dos Brics e inauguração prevista para 2029
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 07/01/2026, às 16h11
Governo federal anunciou criação de rede de hospitais inteligentes do SUS
Banco dos Brics aprovou financiamento de R$ 1,7 bilhão para o projeto
Instituto funcionará no Hospital das Clínicas de São Paulo
Uso de inteligência artificial deve reduzir tempo de espera em emergências
Primeiro evento público do ano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou o anúncio da criação de uma rede nacional de hospitais com serviços inteligentes no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa foi apresentada nesta quarta-feira (7) em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença da ex-presidente Dilma Rousseff, atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco dos Brics.
Durante o evento, foi formalizada a aprovação de financiamento de R$ 1,7 bilhão pelo NDB para a implantação do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI-Brasil), que funcionará no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.
O projeto é idealizado pela médica intensivista e cardiologista Ludhmila Hajjar e terá foco no uso de inteligência artificial aplicada à medicina de alta precisão, com prioridade para atendimentos de urgência e emergência.
Lula, ao discursar, fez referência à queda sofrida em outubro de 2024 e à dificuldade de transferência médica à época. “No aeroporto, a equipe médica tinha quatro pessoas, tinha dois médicos chorando achando que eu podia ter entrado em coma no avião. Com esse anúncio, espero que a gente coloque uma coisa inteligente aqui em Brasília”, disse, em tom de descontração.
Com inauguração prevista para 2029, o ITMI terá 800 leitos, sendo 250 destinados à emergência, 350 a unidades de terapia intensiva e 200 à enfermaria. A estrutura também contará com 25 salas cirúrgicas, com capacidade para a realização de cerca de 27 mil cirurgias por ano, além do atendimento anual estimado de 190 mil pacientes internados. As áreas de atuação incluem medicina de emergência, terapia intensiva, neurologia e assistência especializada.
O financiamento foi viabilizado após articulação do Ministério da Saúde junto ao NDB e aprovação da Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), vinculada ao Ministério do Planejamento e Orçamento. O processo foi concluído em cerca de seis meses, prazo inferior à média habitual para esse tipo de operação.
Ao discursar, Dilma Rousseff afirmou que o projeto insere o Brasil nas transformações tecnológicas globais da área da saúde. “Desenvolvimento, hoje, significa necessariamente acesso à tecnologia. É combinar a vida e a inteligência como forças que mudarão a estrutura tecnológica do mundo. É mais do que um hospital, é acessar o que há de mais moderno em tecnologia”, declarou.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a iniciativa representa a entrada definitiva do SUS na fronteira tecnológica. “É o SUS entrar de vez na nova fronteira tecnológica que está acontecendo no mundo. A gente vai fazer com que chegue primeiro no SUS, liderar essa incorporação tecnológica aqui no Brasil”, disse. Segundo ele, os hospitais inteligentes utilizarão conectividade, integração de equipamentos e inteligência artificial para viabilizar monitoramento remoto, atendimentos à distância e aceleração de diagnósticos.