TCE analisará R$ 286,9 milhões pagos sem licitação pela Secretaria de Saúde de Raquel Lyra

Cynara Maíra | Publicado em 10/06/2026, às 08h01 - Atualizado às 18h00

- Vivian Ramos/SES
COMPARTILHE:

Ler resumo da notícia

O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) abriu uma auditoria especial para investigar pagamentos que somam R$ 286.969.074,60 executados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES).

O conselheiro relator Marcos Loreto assinou a decisão interlocutória, que responde a uma representação protocolada pelo deputado federal Pedro Campos (PSB) em 19 de maio de 2026. O magistrado, contudo, negou o pedido de medida cautelar de urgência para suspender os repasses, alegando a necessidade de evitar o desabastecimento de serviços médicos essenciais à população. No lugar, Loreto solicitou a abertura de uma auditoria especial sobre o tema. 

Em nota ao site Jamildo.com a SES afirmou que os contratos emergenciais especificados na análise do TCE tem respaldo legal e foram "celebrados exclusivamente para garantir a continuidade do atendimento à população usuária do SUS, sem alteração dos valores, dos serviços praticados ou das organizações sociais envolvidas nos contratos anteriores".

O órgão relatou que está disponível para prestar esclarecimentos ao TCE e que os processos de seleção pública já foram publicados e estão em fase de recebimento de propostas. 

"A SES/PE destaca as medidas adotadas para o aprimoramento da gestão dos contratos com Organizações Sociais de Saúde: a regulamentação da Lei Estadual nº 15.210/2013 pelo Decreto nº 58.200/2025, a revisão dos critérios de prestação de serviços e de valoração contratual, e a reestruturação dos mecanismos de monitoramento e fiscalização", declara. 

O montante sob fiscalização financeira se divide em R$ 178.139.175,10 destinados a contratos emergenciais sem licitação e R$ 108.829.899,50 despendidos por meio de Termos de Ajuste de Contas (TACs), modalidade de indenização usada quando não há contrato vigente.

A apuração do órgão de controle estaria nas verbas enviadas para as organizações sociais de saúde (OSS) responsáveis pela administração do Hospital Mestre Vitalino e das Unidades de Pronto Atendimento Especializado (UPAEs) de Arcoverde, Serra Talhada, Belo Jardim, Salgueiro, Garanhuns e Afogados da Ingazeira.

Organizações sociais de saúde são entidades privadas sem fins lucrativos que recebem do poder público a gestão de serviços de saúde. 

Os autos registram que os contratos originais de gestão dessas sete unidades atingiram o limite máximo de dez anos estipulado pela Lei Estadual nº 15.210/2013. A oposição aponta que o encerramento das parcerias ocorreu em março de 2024 e que a Secretaria de Saúde teria demonstrado falta de planejamento ao não providenciar a substituição regular das entidades em tempo hábil.

Após o período de prestação de serviços sem amparo contratual, a pasta recorreu aos TACs e, em janeiro de 2026, firmou novos ajustes emergenciais válidos por seis meses.

A Gerência de Fiscalização da Saúde (GSAU1) do TCE-PE analisou a denúncia e deu parecer desfavorável à cautelar, recomendando a manutenção dos repasses temporários para proteger o interesse público e mitigar prejuízos assistenciais.

Apesar de manter as atividades, os auditores identificaram atrasos nos processos de seleção pública, observando que a Procuradoria-Geral do Estado (PGE/PE) desaconselha o uso sucessivo de TACs para encobrir falhas gerenciais.

Na representação, o deputado Pedro Campos levantou suspeitas de uma "emergência fabricada", criticando o fato de o governo ter lançado os editais competitivos de seis unidades apenas poucos dias após a formalização da queixa no tribunal.

Para afastar o risco de dano reverso à rede hospitalar, o relator Marcos Loreto indeferiu a liminar provisória, cuja decisão seguirá para avaliação definitiva ad referendum da Segunda Câmara do TCE-PE.

O conselheiro emitiu um alerta formal à secretária de Saúde, Zilda do Rego Cavalcanti, advertindo que o edital de licitação do Hospital Mestre Vitalino continua pendente de publicação. A nova auditoria especial vai aprofundar a apuração sobre as responsabilidades administrativas dos gestores estaduais pelas contratações sem concorrência pública.

Saúde Raquel Lyra TCE

Leia também

MPF abre investigação sobre danos ambientais em Suape após malformações em cavalos-marinhos


São João Recife 2026: prefeitura divulga esquema de serviços para festa


Raquel Lyra elogia parceria com Lula, mas evita antecipar apoio: "relação baseada no trabalho e na entrega"