TCE analisará R$ 286,9 milhões pagos sem licitação pela Secretaria de Saúde de Raquel Lyra

Cynara Maíra | Publicado em 10/06/2026, às 08h01 - Atualizado às 08h58

- Vivian Ramos/SES
COMPARTILHE:

Ler resumo da notícia

O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) abriu uma auditoria especial para investigar pagamentos que somam R$ 286.969.074,60 executados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES).

O conselheiro relator Marcos Loreto assinou a decisão interlocutória, que responde a uma representação protocolada pelo deputado federal Pedro Campos (PSB) em 19 de maio de 2026. O magistrado, contudo, negou o pedido de medida cautelar de urgência para suspender os repasses, alegando a necessidade de evitar o desabastecimento de serviços médicos essenciais à população. No lugar, Loreto solicitou a abertura de uma auditoria especial sobre o tema. 

O montante sob fiscalização financeira se divide em R$ 178.139.175,10 destinados a contratos emergenciais sem licitação e R$ 108.829.899,50 despendidos por meio de Termos de Ajuste de Contas (TACs), modalidade de indenização usada quando não há contrato vigente.

A apuração do órgão de controle estaria nas verbas enviadas para as organizações sociais de saúde (OSS) responsáveis pela administração do Hospital Mestre Vitalino e das Unidades de Pronto Atendimento Especializado (UPAEs) de Arcoverde, Serra Talhada, Belo Jardim, Salgueiro, Garanhuns e Afogados da Ingazeira.

Organizações sociais de saúde são entidades privadas sem fins lucrativos que recebem do poder público a gestão de serviços de saúde. 

Os autos registram que os contratos originais de gestão dessas sete unidades atingiram o limite máximo de dez anos estipulado pela Lei Estadual nº 15.210/2013. A oposição aponta que o encerramento das parcerias ocorreu em março de 2024 e que a Secretaria de Saúde teria demonstrado falta de planejamento ao não providenciar a substituição regular das entidades em tempo hábil.

Após o período de prestação de serviços sem amparo contratual, a pasta recorreu aos TACs e, em janeiro de 2026, firmou novos ajustes emergenciais válidos por seis meses.

A Gerência de Fiscalização da Saúde (GSAU1) do TCE-PE analisou a denúncia e deu parecer desfavorável à cautelar, recomendando a manutenção dos repasses temporários para proteger o interesse público e mitigar prejuízos assistenciais.

Apesar de manter as atividades, os auditores identificaram atrasos nos processos de seleção pública, observando que a Procuradoria-Geral do Estado (PGE/PE) desaconselha o uso sucessivo de TACs para encobrir falhas gerenciais.

Na representação, o deputado Pedro Campos levantou suspeitas de uma "emergência fabricada", criticando o fato de o governo ter lançado os editais competitivos de seis unidades apenas poucos dias após a formalização da queixa no tribunal.

Para afastar o risco de dano reverso à rede hospitalar, o relator Marcos Loreto indeferiu a liminar provisória, cuja decisão seguirá para avaliação definitiva ad referendum da Segunda Câmara do TCE-PE.

O conselheiro emitiu um alerta formal à secretária de Saúde, Zilda do Rego Cavalcanti, advertindo que o edital de licitação do Hospital Mestre Vitalino continua pendente de publicação. A nova auditoria especial vai aprofundar a apuração sobre as responsabilidades administrativas dos gestores estaduais pelas contratações sem concorrência pública.

O Jamildo.com procurou a Secretaria de Saúde de Pernambuco para pedir um posicionamento sobre a decisão do TCE, quando houver um retorno essa matéria será atualizada. 

Saúde Raquel Lyra TCE

Leia também

MPF abre investigação sobre danos ambientais em Suape após malformações em cavalos-marinhos


São João Recife 2026: prefeitura divulga esquema de serviços para festa


Raquel Lyra elogia parceria com Lula, mas evita antecipar apoio: "relação baseada no trabalho e na entrega"