Secretária estadual da Saúde contestou dados apresentados por deputados da oposição e afirmou que hospitais passam por requalificação gradual
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 27/05/2026, às 15h12
Secretária Zilda Cavalcanti contestou redução de 226 leitos apontada pela oposição
Deputados denunciaram problemas estruturais em hospitais estaduais
Governo afirma que unidades passam por obras e manutenção contínua
Relatório da oposição será enviado ao MPPE, TCE-PE e Cremepe
A secretária estadual de Saúde de Pernambuco, Zilda Cavalcanti, rebateu nesta terça-feira (27) as críticas feitas por deputados estaduais da oposição sobre a situação da rede hospitalar do Estado. Durante coletiva de imprensa, a gestora contestou os números apresentados pelos parlamentares, especialmente a informação de que Pernambuco teria perdido 226 leitos nos últimos três anos e meio.
Segundo Zilda Cavalcanti, os dados divulgados pela oposição não detalham onde teria ocorrido a suposta redução de leitos e podem ter sido resultado de uma interpretação equivocada relacionada ao fechamento de unidades específicas da rede estadual.
“Eu precisaria que eles expressassem onde é que esses 200 e poucos leitos diminuíram. Isso não foi esclarecido. Nós trabalhamos com transparência, nós dizemos a verdade e eu não tenho nenhum problema com isso. Só preciso que seja dito onde estão esses 200 leitos que foram reduzidos, porque eu vou explicar que não foram”, afirmou a secretária.
A declaração da secretária foi dada um dia após deputados estaduais do PSB realizarem uma coletiva de imprensa para apresentar denúncias sobre a situação dos hospitais estaduais. Os parlamentares Sileno Guedes, Rodrigo Farias, Diogo Moraes e Eriberto Filho afirmaram que a saúde pública em Pernambuco atravessa um cenário de “colapso” estrutural e assistencial.
Na coletiva da oposição, os deputados apresentaram imagens registradas durante visitas aos hospitais da Restauração, Agamenon Magalhães, Otávio de Freitas e Getúlio Vargas. O grupo também apontou uma suposta redução de R$ 1,5 bilhão nos investimentos em saúde pública, comparando os dados de dezembro de 2022 com os de 2025.
De acordo com os parlamentares, Pernambuco teria reduzido o percentual de aplicação em saúde de 18% para cerca de 15%. O deputado Diogo Moraes afirmou que houve aumento de despesas com festas e publicidade enquanto os recursos da saúde teriam diminuído.
“Quando a gente vê os investimentos na saúde cair na ordem de R$ 1,5 bilhão, em detrimento, por exemplo, de festas e propagandas em Pernambuco, que foram mais de R$ 160 milhões a mais do gasto, isso demonstra uma inversão de prioridades”, declarou o parlamentar.
Os deputados também afirmaram que a rede estadual teria perdido 226 leitos após o fechamento de unidades como o Hospital de Retaguarda do Bongi e o Hospital Jesus Nazareno, em Caruaru. Segundo a oposição, o encerramento dessas estruturas teria ampliado a superlotação hospitalar na Região Metropolitana do Recife e no interior do Estado.
Ao responder às críticas relacionadas à estrutura física dos hospitais estaduais, Zilda Cavalcanti afirmou que o governo vem executando obras de requalificação de maneira gradual, seguindo cronogramas técnicos para evitar interrupções nos atendimentos.
“Os hospitais estão em funcionamento. Nós já requalificamos várias áreas internas dos hospitais. Não começamos nenhuma requalificação pela fachada. As fachadas estão sendo feitas agora, depois de uma série de intervenções internas”, afirmou.
A secretária também rebateu críticas da oposição sobre supostas “reformas de fachada” nas unidades estaduais. Segundo ela, as intervenções externas fazem parte de um processo mais amplo de modernização.
“As fachadas também trazem segurança para os pacientes porque possibilitam climatização, isolamento acústico e melhoria da luminosidade. Estão sendo trocadas todas as esquadrias. Não é apenas pintura”, disse.
Zilda Cavalcanti reconheceu que ainda existem problemas pontuais em algumas unidades, mas afirmou que as intervenções vêm sendo executadas de forma contínua.
Ela citou como exemplo o Hospital da Restauração, no Recife. Segundo a secretária, já foram requalificados integralmente o sexto e o oitavo andares da unidade, além da entrega da UTI pediátrica climatizada, modernização da UTI adulta, recuperação do centro de imagem, do setor de patologia, de corredores e do centro de endoscopia digestiva.
“Algumas questões pontuais que ainda estão por fazer podem aparecer, mas existe responsabilidade absoluta em seguir com um contrato de manutenção que historicamente nunca houve nesse Estado”, declarou.
A gestora afirmou ainda que o ritmo das obras ocorre dentro das possibilidades operacionais da rede hospitalar. “O tempo da requalificação não é o que a gente gostaria, mas precisamos fazer tudo com responsabilidade, mantendo os hospitais funcionando e garantindo a assistência”, acrescentou.
No relatório apresentado pelos deputados estaduais, a oposição também apontou denúncias sobre a estrutura do Hospital Agamenon Magalhães. Entre os problemas listados estão elevadores quebrados, infiltrações, falhas elétricas e superlotação em enfermarias.
Os parlamentares divulgaram ainda um documento do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), emitido pela própria Secretaria Estadual de Saúde em fevereiro de 2026, relatando infestação de ratos no Hospital Agamenon Magalhães.
Segundo o documento apresentado pela oposição, fezes e urina de roedores teriam sido encontradas próximas a equipamentos hospitalares utilizados em pacientes.
Durante a coletiva, os deputados afirmaram que pretendem encaminhar o relatório ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e à Secretaria Estadual de Saúde.
Além das críticas à estrutura hospitalar, a oposição também questionou a situação do Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Paulista, adquirido pelo Governo do Estado por cerca de R$ 170 milhões e que segue fechado para obras de requalificação.
Os parlamentares cobraram ainda a construção de novas unidades hospitalares e apontaram demora no início das obras do novo Hospital Getúlio Vargas.
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