Segundo procurador, ações de dragagem no canal interno do Porto de Suape agravam risco de extinção local da espécie
por Jamildo Melo
Publicado em 10/06/2026, às 08h38 - Atualizado às 12h32
O Ministério Público Federal abriu uma investigação emergencial para apurar supostos danos ambientais causados na área de influência de SUAPE, após a identificação de malformações genéticas em cavalos-marinhos da espécie Hippocampus reidi.
O MPF aponta risco de extinção local da espécie e relaciona o problema a intervenções portuárias, como dragagens e novos empreendimentos.
A CPRH foi acionada para informar quais medidas de monitoramento e proteção ambiental estão sendo adotadas.
Sem alarde, o Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco abriu uma investigação emergencial para acompanhar, fiscalizar e mitigar supostos danos ambientais na área de influência do porto de SUAPE. O Jamildo.com teve acesso exclusivo ao procedimento no MPF.
A medida atende a denúncias de suposta negligência ecológica e ameaça direta à sobrevivência da fauna marinha local.
O foco da intervenção é a ocorrência de malformações genéticas severas detectadas em populações de cavalos-marinhos da espécie Hippocampus reidi, localizadas nas proximidades das Ilhas de Cocaia e do leito do Rio Tatuoca.
Um relatório técnico especial apontou para uma intensa "atividade teratogênica na região afetada pelo porto".
Conforme o diagnóstico dos especialistas, as alterações provocadas no ecossistema local resultaram no nascimento de uma prole mutante em uma frequência média impressionante de 20% dos espécimes avaliados.
O quadro de vulnerabilidade ambiental tornou-se mais agudo após, segundo o MPF, a administração de SUAPE supostamente descontinuar o apoio financeiro que viabilizava as pesquisas de conservação desenvolvidas por uma entidade de referência científica e preservação desses animais.
De acordo com o MPF nos autos, a integridade biológica da espécie está "sob risco iminente de extinção local", devido ao avanço de obras e intervenções estruturais na zona portuária.
"O processo contínuo de dragagem no canal interno do porto, somado aos planos de instalação de novos e robustos empreendimentos industriais — a exemplo do Terminal de Minério projetado especificamente para a Ilha de Cocaia —, potencializa de forma drástica os danos ao ecossistema", argumenta o MPF, no procedimento.
O MPF enfatiza que o cenário exige ações emergenciais urgentes de resgate e a formação imediata de uma população de segurança que possa salvaguardar o patrimônio genético remanescente.
O MPF determinou a expedição de um ofício à Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH).
A entidade pernambucana deverá tomar conhecimento formal do andamento processual e relatar quais providências administrativas e de monitoramento estão sendo adotadas.
A apuração do MPF foi aberta em 29 de maio, por portaria do procurador Antônio Nilo Lobo Segundo.
Como sempre acontece, o site Jamildo.com abre espaço para a empresa SUAPE, caso queira acrescentar informações sobre o divulgado pelo MPF.