Otávio Gaudêncio | Publicado em 08/07/2026, às 08h41
Nessa terça-feira (7), a deputada federal Tabata Amaral (PSB) causou desconforto no ministro de Estado da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), após apontar que o gestor está entre as listas dos cinco deputados mais votados na eleição de 2022 com menos projetos aprovados.
A lista levantada pela ex-primeira-dama do Recife também tem os nomes de Nikolas Ferreira (PL-MG), com três projetos em um mandato; Carla Zambelli (PL-SP), com cinco projetos em dois mandatos; Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com cinco projetos em três mandatos; e Ricardo Salles (NOVO-SP), com zero projetos em um mandato.
Em comunicado ao público, Guilherme Boulos, que conseguiu aprovar cinco projetos em um mandato, lamentou a fala da deputada de o comparar com Eduardo, Nikolas e Zambelli, políticos bolsonaristas. "É lamentável ver esse posicionamento de alguém do campo progressista, ainda mais no momento em que estamos", declarou.
A situação foi agravada também por conta de Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro sequer ainda serem deputados, com a parlamentar, hoje solta, tendo sido até presa após renunciar ao cargo, enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro perdeu o cargo por excesso de faltas injustificadas.
Boulos é ministro do presidente Lula (PT) desde outubro de 2025, o que o impede de exercer função legislativa.
Além das críticas, Tabata Amaral usou o momento para ressaltar os números de seu mandato na Câmara dos Deputados. Ela afirma ter participado da tramitação de 32 projetos que viraram lei, entre eles, o Pé de Meia. A parlamentar ainda fez apelo para que o eleitor acompanhe como está sendo desenvolvido o trabalho do parlamentar pelo qual ele votou.
Ainda na terça-feira, o Senado aprovou projeto da parlamentar que cria o Pix Pensão, que faz com que o valor da pensão seja debitado na conta do devedor todo mês, em caso de permissão judicial.
Boulos ainda mencionou suas propostas aprovadas, além de destacar negativamente pautas que foram apoiadas por Tabata Amaral. "Tenho muito orgulho dos projetos que aprovei, dentre eles a Lei das Cozinhas Solidárias, que ajudou a tirar o Brasil do Mapa da Fome. Teria vergonha se tivesse votado a favor da Reforma da Previdência de Bolsonaro ou se fosse autor de uma lei que criminaliza as críticas ao genocídio de Israel na Faixa de Gaza", criticou.
Durante as eleições municipais de 2024, o presidente nacional do PSB e marido de Tabata, João Campos (PSB), também protagonizou embate com o ministro do presidente Lula.
Na ocasião, o ex-prefeito do Recife disse que Boulos "teve roupagem diferente" enquanto pré-candidato e candidato à Prefeitura de São Paulo.
O psolista rebateu, lembrando o discurso antipetista que fez com que João Campos se elegesse frente a Marília Arraes (PDT), à época no PT, nas eleições de 2020. "Hoje, que o Lula é presidente, ele virou o maior lulista do país", disse Boulos.
Rinaldo Júnior projeta disputa entre João Campos e Raquel Lyra como prévia do futuro nacional
Oposição usa fala de Tabata Amaral contra bets para criticar gestão João Campos
Boulos aposta em escala 6x1 e aplicativos para 'reaproximar' Lula de trabalhadores