Sindifisco decide reduzir ritmo de trabalho para "operação padrão" após impasses com o Governo de Pernambuco

Cynara Maíra | Publicado em 02/07/2026, às 10h19 - Atualizado às 10h42

- Divulgação
COMPARTILHE:

Os auditores fiscais do Tesouro Estadual e os julgadores administrativo-tributários de Pernambuco que compõem o Sindifisco-PE aprovaram o início do regime de estrito cumprimento do dever legal a partir desta quinta-feira (2). A deliberação foi unânime durante Reunião Plenária da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) Permanente, que ocorreu na sede do Sindifisco-PE na quarta-feira (1º).

A medida funciona na prática como uma "operação padrão". Os servidores decidiram que não realizarão de esforços extraordinários e o uso de atalhos burocráticos que costumavam agilizar os processos fazendários.

A partir de agora, a categoria passará a seguir cada norma, regulamento e protocolo existente, o que deve provocar lentidão nas análises de auditoria e nos julgamentos tributários. Os funcionários também deixarão de fazer horas extras não obrigatórias ou de levar trabalho para casa, limitando a atuação estritamente à jornada padrão e às obrigações mínimas do cargo.

O objetivo da mobilização é pressionar o Governo de Pernambuco por negociações sem a necessidade de decretar uma greve formal, utilizando a própria burocracia do sistema para impactar o ritmo da arrecadação e da fiscalização no estado.

Como parte do plano de escalada do movimento, os servidores votaram por uma paralisação total das atividades na próxima quinta-feira (09), quando haverá uma nova reunião plenária. O Sindifisco-PE também aprovou a contratação de um escritório de advocacia especializado em direito sindical e movimentos grevistas para atuar em caso de retaliações por parte do Executivo.

Contexto do impasse entre Fisco e Governo 

O estopim para o endurecimento do discurso entre servidores e o Estado foi o envio do Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 4212, que institui o Programa Especial de Recuperação de Créditos (PERC), à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

De acordo com a categoria, a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) descumpriu a promessa de incluir no texto a recriação de uma rubrica indenizatória vinculada à recuperação de créditos tributários para os fazendários.

"Após meses de diálogo e promessas formais, fomos surpreendidos por mais um ato de descaso da atual gestão. A governadora enviou à Assembleia Legislativa o PLC nº 4212 (PERC) sem a inclusão da rubrica indenizatória prometida. Este gesto é uma declaração explícita de desrespeito à categoria", criticou Nilo Otaviano, presidente do Sindifisco-PE.

O sindicato também reclamou do que chama de disparidade de tratamento na administração pública. A entidade aponta que o governo garantiu aumentos salariais e o pagamento imediato de atrasados de honorários advocatícios sobre o 13º salário para os procuradores da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que também mantém o recebimento da rubrica indenizatória de créditos. Segundo eles, a recuperação de créditos do Fisco foi extinta em 2024. 

As negociações entre o Fisco e o Palácio do Campo das Princesas estão em maior impasse desde janeiro de 2026. Em abril, o secretário da Fazenda chegou a sinalizar que o governo pretendia reimplantar a paridade remuneratória entre ativos, aposentados e pensionistas (direito que a Lei Complementar nº 547/2024 havia retirado) na folha de junho. Contudo, o Executivo retirou a proposta da mesa de negociações em maio.

Outro ponto seria a aplicação do teto remuneratório equivalente a 100% do subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), direito que consta na Emenda Constitucional nº 68/2025, promulgada pela Alepe em dezembro passado. O governo citou que implantaria a medida no início do ano, mas ingressou com a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.937-PE no STF para derrubar a validade da regra. A alegação do Estado é que as medidas gerariam impacto de R$ 7,9 milhões mensais, sem previsão orçamentária e indicou vício de iniciativa.

O Sindifisco-PE argumenta que as reivindicações não provocam impacto financeiro adicional ao Tesouro Estadual. Segundo os estudos técnicos da entidade, a paridade dos inativos seria custeada por recursos já acumulados no Fundo de Aperfeiçoamento das Atividades Fazendárias (FAAF), já que o teto constitucional altera apenas a incidência de retenções na fonte, sem representar um aumento real de despesa salarial.

Sindifisco

Leia também

Prefeitura do Recife regulariza 1.117 imóveis em Brasília Teimosa, com 493 títulos de propriedade


OAB-PE inicia processo para escolha de novo desembargador do TJPE pelo Quinto Constitucional


Construção civil, água e saneamento: uma parceria em favor das cidades