Construção civil, água e saneamento: uma parceria em favor das cidades

Sinduscon-PE, Ademi-PE e Compesa discutem agenda comum pela infraestrutura hídrica e de saneamento do estado

Redação Jamildo.com

por Redação Jamildo.com

Publicado em 01/07/2026, às 14h54

Durante o encontro com a Compesa, os representantes do setor construtivo expressaram diversas preocupações estratégicas e operacionais, focadas principalmente na transição para o novo modelo de concessão e na desburocratização de processos. - Foto: Divulgação
Durante o encontro com a Compesa, os representantes do setor construtivo expressaram diversas preocupações estratégicas e operacionais, focadas principalmente na transição para o novo modelo de concessão e na desburocratização de processos. - Foto: Divulgação

Imagine acordar cedo para trabalhar ou levar os filhos à escola e descobrir que não há uma gota de água saindo da torneira. Essa pode não ser a sua realidade, mas para milhares de pernambucanos, não é uma situação excepcional, mas parte da rotina.

Em muitas comunidades, a falta de abastecimento regular obriga famílias a armazenar água em baldes e caixas improvisadas, enquanto a ausência de coleta e tratamento de esgoto expõe crianças e adultos a doenças que poderiam ser evitadas.

São problemas que dialogam diretamente com a Indústria da Construção Civil em várias frentes: desde a entrega da habitação, cuja funcionalidade plena perpassa pelo acesso a esses dois serviços – água e esgoto, até o investimento em obras de infraestrutura visando a universalização, ou ao menos a ampliação, desses acessos. 

Diante desse cenário, a articulação do Sinduscon-PE junto ao poder público e concessionárias competentes, como a Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento do Governo do Estado e a Companhia Pernambucana de Saneamento - Compesa, precisa ser permanente, vigilante e propositiva. 

No início de junho, a diretoria do Sindicato da Indústria da Construção recebeu durante reunião-almoço conjunta com a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário – Ademi-PE,  o diretor-presidente da Compesa, Douglas Nóbrega, tendo em pauta a apresentação de um panorama das obras em execução pela companhia, além do detalhamento de aspectos dos contratos de concessão parcial dos serviços de água e esgoto assinados em abril, e que deverão começar a operar no último trimestre de 2026.

Segundo o executivo, a Compesa mantém atualmente 268 projetos em andamento, que somam investimentos de R$ 4,5 bilhões.

Outros R$ 3 bilhões estão em fase de captação, o que deverá elevar o volume total de investimentos públicos para cerca de R$ 10 bilhões apenas por parte do Estado. Com as concessões, entra a perspectiva de mais de R$ 20 bilhões em investimentos ligados aos serviços de água e esgoto e à ampliação da infraestrutura hídrica no Estado, com concentração dos aportes nos próximos cinco anos, o que deve remodelar o futuro do saneamento em Pernambuco.

Um cenário bem diferente de três anos atrás, quando a Compesa tinha em torno de 58 obras paradas e R$ 60 milhões em dívidas, de acordo com o presidente da Companhia. 

Ainda ao abordar o modelo de concessão adotado, Douglas Nóbrega destacou, diante dos empresários da construção, a diretriz da iniciativa no sentido de unir a capacidade de investimento do setor privado à estrutura operacional já existente, acelerando a universalização dos serviços de fornecimento de água e saneamento.

A estratégia, segundo ele, é acelerar a execução dos investimentos até 2033, prazo estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento para o cumprimento das metas - em torno de 99% da população com água e 90% atendida com saneamento básico. 

Para isso, a Compesa focará no "atacado", ou seja, na captação, tratamento e produção de água. Já as concessionárias privadas (Vita Brasil e Aqua) assumirão o "varejo", cuidando da distribuição final, medição e de todo o sistema de esgotamento sanitário.

Recuperação de Infraestrutura e Redução de Perdas

Na sede do Sinduscon-PE, Douglas Nóbrega falou ainda sobre como a Compesa está retomando projetos estruturadores e focando na eficiência técnica. A retomada da Adutora do Agreste, um projeto parado há mais de uma década e essencial para levar água a 69 municípios, esteve na linha de frente.  Oito lotes estão em andamento (todos estavam parados há três anos) e vários trechos já foram entregues, beneficiando cidades como Bezerros, Gravatá, Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe.

Também está sendo trabalhada a Interligação de sistemas, a partir de estudos hidráulicos para permitir a inversão de fluxo de adutoras, garantindo que cidades antes dependentes de barragens em estado crítico de sua capacidade, como Jucazinho, possam receber água de outros sistemas.  Deverão ser beneficiadas cerca de 11 cidades, entre elas, Surubim, Casinhas, Riacho das Almas e Passira.

Entre os pontos citados pela Compesa, chamou a atenção a atenção o problema com perdas e furtos. De acordo com Nóbrega, atualmente o estado perde cerca de 45% da água produzida. Segundo ele, a empresa está modernizando a fiscalização com uso de satélites, drones com topografia, georadar e parcerias com a polícia para combater o uso não autorizado.

Alinhando pontos e construindo soluções

Durante o encontro com a Compesa, os representantes do setor construtivo expressaram diversas preocupações estratégicas e operacionais, focadas principalmente na transição para o novo modelo de concessão e na desburocratização de processos.

Entre as principais preocupações citadas estiveram a lentidão na análise de aprovação de projetos, a necessidade de uma comunicação clara para que as dificuldades operacionais da transição não afetem o andamento das obras na ponta final, dificuldades enfrentadas pelas incorporadoras na hora de entregar os dispositivos (redes e equipamentos) construídos por elas para as concessionárias, além da qualidade dos projetos a serem licitados, entre outros.

Para mitigar esses problemas, o setor sugeriu a criação de workshops periódicos entre a Compesa, as concessionárias e os projetistas para alinhar padrões técnicos e garantir que a simplicidade e a celeridade prevaleçam nos novos contratos.

Uma iniciativa que promoverá, sem dúvida, uma transição suave para o novo modelo de concessão, assegurando que a análise de projetos ganhe a celeridade e simplicidade necessárias para o ritmo das obras do setor construtivo. 

O diálogo aberto entre o setor construtivo do estado e a Compesa reforçou o entendimento de que toda obra começa com um compromisso: levar qualidade de vida. Destacou-se, por fim, a importância da sinergia entre o poder público e a iniciativa privada para alcançar e fomentar o desenvolvimento econômico regional.