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Liana Cirne tira Renildo Calheiros da Câmara, mesmo com deputado recebendo mais votos que em 2022

Jamildo Melo | Publicado em 13/10/2026, às 12h28

Ex-prefeito de Olinda e parlamentar com experiência no Congresso, Renildo Calheiros ampliou sua votação em quase 25%, mas não conseguiu renovar o mandato. - Câmara dos Deputados
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A eleição da vereadora do Recife Liana Cirne (PT) para a Câmara dos Deputados produziu um resultado particular na política de Pernambuco: o deputado federal Renildo Calheiros (PCdoB) perdeu o mandato mesmo tendo aumentado sua votação em relação à eleição anterior.

Os dois disputaram a eleição pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, que conquistou quatro das 25 cadeiras de Pernambuco na Câmara Federal.

Liana Cirne recebeu 85.039 votos, enquanto Renildo Calheiros obteve 74.296 votos. A diferença de 10.743 votos garantiu à petista a última vaga da federação e deixou o parlamentar comunista na primeira suplência.
O aspecto mais curioso do resultado é que Renildo não perdeu votos. Pelo contrário.

Em 2022, ele havia sido eleito deputado federal com 59.686 votos. Quatro anos depois, chegou a 74.296, um crescimento de 14.610 votos, equivalente a aproximadamente 24,5%.

Mesmo assim, não conseguiu renovar o mandato.

Liana Cirne também ampliou sua base eleitoral. Em 2022, quando disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados, recebeu 57.284 votos. Agora, conquistou 85.039, um crescimento de aproximadamente 48,5%.
O resultado foi definido pela votação individual dos candidatos dentro de uma federação que conquistou quatro vagas, e não por um confronto direto entre os dois políticos.

Como ficaram as quatro vagas do PT, PCdoB e PV em Pernambuco

A Federação Brasil da Esperança elegeu Rosa Amorim (PT), com 144.101 votos; Carlos Veras (PT), com 133.118; Clodoaldo Magalhães (PV), com 92.229; e Liana Cirne (PT), com 85.039 votos.
Renildo Calheiros terminou em quinto lugar dentro da federação.

No sistema proporcional brasileiro, a distribuição das cadeiras considera a votação total dos partidos e federações, incluindo os votos nominais e de legenda, além das regras de quociente eleitoral e distribuição de sobras.

Depois de definido o número de vagas conquistadas pela federação, a votação nominal estabelece quais candidatos assumem os mandatos, observadas as exigências legais.

Isso explica por que o crescimento eleitoral de Renildo não foi suficiente para assegurar sua permanência na Câmara.

O resultado também modificou o equilíbrio interno da federação em Pernambuco. O PT passará a ocupar três das quatro cadeiras, enquanto o PV terá uma. O PCdoB ficará sem representante titular na bancada federal do estado.

Renildo Calheiros deixa a Câmara após trajetória de articulação política

A derrota eleitoral de Renildo Calheiros também representa a saída de um parlamentar com longa experiência na Câmara dos Deputados e participação em negociações políticas e legislativas.

Ex-prefeito de Olinda por dois mandatos, entre 2009 e 2016, Renildo já exerceu cinco mandatos como deputado federal e ocupou diferentes funções de liderança no Congresso.

Foi líder do PCdoB, vice-líder do governo Lula e participou de articulações envolvendo partidos da base governista.

Sua atuação parlamentar tem reconhecimento também fora do próprio partido. Em legislaturas anteriores, Renildo foi incluído pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) entre os congressistas de destaque em sua atividade legislativa.

O reconhecimento, naturalmente, não representa uma avaliação consensual de suas posições políticas, mas registra sua presença nas negociações e na organização dos trabalhos do Congresso.

Entre suas iniciativas recentes estão propostas relacionadas à ampliação do programa Pé-de-Meia, ao financiamento do transporte público e à tarifa zero.

Renildo também integra a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), uma das principais comissões permanentes da Câmara.

Sua trajetória começou no movimento estudantil. Foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) na década de 1980, vereador do Recife e prefeito de Olinda antes de retornar ao Congresso.

Um aspecto particular dessa trajetória é sua participação nas articulações que levaram à aprovação da legislação das federações partidárias, modelo que permite a atuação conjunta de diferentes legendas e que, nesta eleição, definiu sua posição de suplente.

A perda do mandato, portanto, não decorreu de uma redução de sua votação, mas da combinação entre o desempenho dos demais candidatos e o número de cadeiras conquistadas pela federação.

Federação cresce no Brasil, mas PCdoB perde espaço em Pernambuco

No cenário nacional, a Federação Brasil da Esperança ampliou sua representação na Câmara dos Deputados.

Segundo levantamento da própria Câmara, PT, PCdoB e PV elegeram juntos 88 deputados federais em 2026, contra 82 nas eleições de 2022.

O crescimento de seis cadeiras contrasta com a situação específica do PCdoB em Pernambuco, que não terá deputado federal titular a partir de 2027.

A federação continuará representada no estado, mas com predomínio do PT, que passou de um para três deputados federais eleitos.

Em âmbito nacional, o PL elegeu 121 deputados, contra 97 em 2022, enquanto a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, conquistou 87 cadeiras. O levantamento mostra que o crescimento da Federação Brasil da Esperança ocorreu em um Congresso no qual diferentes forças políticas ampliaram ou reduziram suas bancadas.

Renovação da bancada pernambucana chega a 48%

A eleição de Liana Cirne e a saída de Renildo Calheiros integram um processo mais amplo de mudança na representação de Pernambuco em Brasília.

Como já mostrou o site Jamildo.com, dos 25 deputados federais eleitos pelo estado, 12 não faziam parte da bancada escolhida em 2022, uma renovação de 48%.

A representação feminina também dobrou, passando de três para seis deputadas.
Além de Liana Cirne, foram eleitas Juliana de Chaparral (União Brasil), Rosa Amorim (PT), Clarissa Tércio (PP), Iza Arruda (MDB) e Eliane Soares (PSB).

Pedro Campos (PSB) foi o deputado federal mais votado de Pernambuco, com 261.555 votos, seguido por Jones Manoel (PSOL), com 249.077 votos.

A nova composição combina a chegada de parlamentares estreantes, o retorno de antigos ocupantes de cargos eletivos e a saída de nomes tradicionais.

No caso de Renildo Calheiros, o resultado ilustra uma característica do sistema proporcional: aumentar a votação pessoal não garante a reeleição quando outros candidatos da mesma federação obtêm desempenho superior e o número de vagas é limitado.

Para Liana Cirne, a eleição representa a chegada à Câmara Federal depois de sua atuação como vereadora do Recife. Para Renildo, significa o encerramento do mandato em janeiro de 2027, embora a condição de primeiro suplente mantenha a possibilidade de retorno durante a próxima legislatura.

Câmara dos Deputados liana cirne Renildo Calheiros

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