Carlos Veras manda recado para Osmar Ricardo após vereador afirmar que fará campanha para Raquel Lyra

Carlos Veras emitiu nota após fala de Osmar Ricardo sobre entrar em licença partidária para fazer campanha para Raquel Lyra

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 14/07/2026, às 09h49 - Atualizado às 10h51

Carlos Veras e Osmar Ricardo falam em microfones
Carlos Veras e Osmar Ricardo foram eleitos presidentes do PT - Câmara dos Deputados- Câmara de Vereadores do Recife

O presidente do PT-PE, Carlos Veras, alertou que vereadores que descumprirem as orientações de voto ficarão sem legenda para disputar a reeleição em 2028.

A nota oficial reforça que a licença partidária não isenta nenhum filiado de cumprir as deliberações coletivas do estatuto do partido.

O embate começou após Osmar Ricardo anunciar que pretende se licenciar do PT Recife para apoiar a reeleição de Raquel Lyra (PSD).

O vice-presidente estadual da legenda, Cirilo Mota, cobrou coerência de Osmar e adiantou que vai defender a punição disciplinar na Executiva.

Carlos Veras assumiu uma postura rígida em defesa da aliança com João Campos (PSB), rebatendo críticas internas e mantendo alinhamento com a direção nacional.

Após o presidente municipal do PT Recife, o vereador Osmar Ricardo, afirmar que cogitava entrar em licença partidária para fazer campanha para governadora Raquel Lyra (PSD), o presidente estadual do PT, deputado Carlos Veras, emitiu uma nota em que cita que qualquer vereador que não siga as orientações do partido ficará de fora dele em 2028.

No texto, Veras destacou que a decisão de apoiar a pré-candidatura de João Campos (PSB) passou por debate interno e recebeu a validação do presidente nacional da sigla, Edinho Silva, e conta com o respaldo direto do presidente Lula.

O dirigente alertou que as normas internas continuam válidas mesmo em casos de afastamento formal. "A Licença partidária não isenta nenhum membro de cumprir as normas e deliberações partidárias", diz, quase em resposta direta à fala de Osmar. 

Osmar Ricardo declarou que pretendia pedir licença do comando do diretório do Recife para trabalhar de forma aberta pela reeleição de Raquel Lyra.

"Particularmente eu, como presidente do partido dos trabalhadores em Recife, estou conversando com o grupo, devo me licenciar do PT de Recife para poder fazer a campanha da governadora de forma aberta e transparente. Primeiro porque a gente não concorda com a política do PSB no estado de Pernambuco que é uma política atrasada de perseguição", declarou o vereador.

O vice-presidente do PT de Pernambuco, Cirilo Mota, reagiu à manifestação e falou ao Jamildo.com que pretende defender a aplicação de uma punição disciplinar na Executiva do partido.

Mota classificou Osmar como "réu confesso" por expor a infidelidade e defendeu que o mais coerente seria a saída definitiva do vereador, lembrando que ele já havia deixado a sigla em 2017, durante a prisão de Lula. Osmar rebateu a fala e afirmou que Cirilo Mota não tem moral para pedir sua expulsão, apontando o dirigente como porta-voz do PSB no estado.

Embora Carlos Veras normalmente estivesse mais no tom pragmático de articulação de bastidores, o dirigente tem seguido a risca o direcionamento do PT Nacional e defendido a aliança com o ex-prefeito do Recife João Campos.

O presidente estadual assumiu a linha de frente contra dissidências na base aliada, chegando até a alfinetar o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD). Gadêlha havia publicado um vídeo alegando que Lula não parecia feliz na gravação de apoio a João Campos, o que gerou uma resposta imediata de Veras, que ironizou o colega como "comentarista de vídeo do presidente Lula" e rebateu afirmando que o mandatário nacional "não grava vídeo se não tiver convicção".