Vice-presidente do PT, Cirilo Mota defende que Osmar Ricardo seja disciplinado por declarar explicitamente que fará campanha para Raquel Lyra
por Cynara Maíra
Publicado em 10/07/2026, às 08h20 - Atualizado às 09h30
Alas do PT ligadas ao PSB defendem punição a Osmar Ricardo após o vereador anunciar que pedirá licença do partido para fazer campanha para Raquel Lyra.
O vice-presidente estadual da legenda, Cirilo Mota, classificou o vereador como réu confesso e informou que defenderá a abertura de processo disciplinar.
Osmar Ricardo justificou o afastamento temporário por discordar da condução política dos socialistas e previu neutralidade do presidente Lula no estado.
O Estatuto do PT prevê sanções de suspensão e expulsão definitiva para filiados que realizam campanha ou apoiam palanques contrários às decisões coletivas.
O racha com o PSB começou após Osmar apoiar uma CPI contra a gestão municipal, o que resultou na perda temporária de sua cadeira na Câmara do Recife.
Após o vereador e presidente municipal do PT Recife, Osmar Ricardo, afirmar que deve se licenciar do partido durante o período da eleição para fazer campanha para governadora Raquel Lyra (PSD), alguns petistas mais vinculados ao PSB defendem uma punição para o político.
Osmar justificou a decisão ao apontar divergências com a condução política dos socialistas no estado e afirmou que Lula deve se manter neutro no primeiro turno da eleição.
"Particularmente eu, como presidente do partido dos trabalhadores em Recife, estou conversando com o grupo, devo me licenciar do PT de Recife para poder fazer a campanha da governadora de forma aberta e transparente. Primeiro porque a gente não concorda com a política do PSB no estado de Pernambuco que é uma política atrasada de perseguição", afirmou o vereador em entrevista para o Portal de Prefeitura.
O vice-presidente do PT de Pernambuco e ex-presidente municipal da legenda, Cirilo Mota, confirmou ao Jamildo.com que o diretório ainda não abriu um procedimento formal, mas adiantou que defenderá a aplicação de uma medida disciplinar na Executiva.
Para o dirigente, o pedido de licença não tira a responsabilidade ética do vereador de cumprir com os acordos votados em conjunto pelo PT. Cirilo Mota argumentou que o mais coerente seria a desfiliação voluntária do vereador e relembrou que Osmar Ricardo já havia deixado a sigla em 2017, junto com o deputado João Paulo, durante o período da prisão de Lula.
Mota afirmou que Osmar, apesar de alguns nomes do PT terem um vínculo com a governadora, Osmar seria o único "réu confesso" por anunciar publicamente a subida no palanque de uma candidata de oposição à Frente Popular. Ele cita que outros nomes se esquivam de uma posição mais clara para evitar deixar provas de infelidade partidária.
O PT tem o histórico de punir filiados que não seguem as definições do partido. Em 2024, a legenda começou um processo de expulsão do então prefeito de Paulista, Yves Ribeiro, que apoiava o agora prefeito Severino Ramos (PSD) in detrimento ao nome de Júnior Matuto (PSB), que fora escolhido pelo diretório nacional a partir da aliança PT-PSB.
A situação não continuou porque Yves preferiu sair por conta própria do partido, hoje está de volta ao MDB.
O Estatuto do Partido dos Trabalhadores traz base jurídica para punir atos de infidelidade partidária.
O artigo 227 da sigla classifica como infração ética tanto a realização de propaganda para candidatos de outras legendas quanto o apoio a governos não alinhados com as decisões coletivas do partido.
Segundo o regramento, as punições podem ir de advertências e suspensão de direitos internos até a expulsão definitiva da sigla, aplicável conforme o artigo 231 para quem atua ativamente contra candidaturas homologadas pela federação.
Até o início de 2026, Osmar Ricardo tinha uma relação cordial com o PSB e inclusive foi apoiado na eleição do diretório municipal do PT defendendo uma alinhamento com João Campos.
A relação azedou após ele votar pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar uma mudança no concurso para procurador do Recife, que gerou até um pedido de impeachment defendido pela oposição, mas derrubado pela maioria da Casa.
Em retaliação ao movimento do petista, João Campos devolveu o secretário de Direitos Humanos Marco Aurélio Filho (PV) para Câmara de Vereadores, o que colocou Osmar de volta para suplência.
A situação fez com que o político se vinculasse diretamente à governadora Raquel Lyra, que fez um acordo com o petista para adicionar a vereadora Flávia de Nadegi (PV), que já tinha declarado apoio para Raquel, no Governo do Estado, para que Osmar voltasse para Câmara.
Em seu retorno, o político citou que faria oposição à Prefeitura do Recife pela forma que chamou de "autoritária" que a gestão de João teria atuado após uma divergência.