Aliados fazem mea culpa e citam erro de estratégia inicial para justificar perda da vantagem de João Campos nas pesquisas contra Raquel Lyra
por Jamildo Melo
Publicado em 13/07/2026, às 15h13 - Atualizado às 15h47
As pesquisas eleitorais em Pernambuco mostram uma reviravolta na disputa pelo Governo do Estado.
Após iniciar a corrida com ampla vantagem, João Campos viu Raquel Lyra crescer de forma consistente, impulsionada pela melhora da avaliação de sua gestão.
O resultado foi a transformação de uma eleição aparentemente definida em um cenário de forte equilíbrio.
Longe dos microfones ligados, sob reserva de fonte, aliados do ex-prefeito João Campos admitem erro de avaliação para a queda do socialistas nas pesquisas de intenção de voto, de um ano para cá.
"Houve um erro de estratégia...não podia ser só rede social... faltaram cabelos brancos, tinha que ter política, conversa, como está sendo feito... do outro lado, a governadora se movimentou, movimentou a máquina", explica uma fonte do site Jamildo.com.
Para os governistas, o ritmo acelerado de entregas de obras, programas de infraestrutura, investimentos em segurança, saúde e abastecimento de água, somado ao aumento da presença política da governadora no interior, contribuiu para reduzir a vantagem inicial de João Campos.
A evolução das pesquisas em Pernambuco ao longo de 2025 e 2026 revela a mudanças relevante da disputa pelo Governo do Estado. A vantagem inicial de João Campos (PSB), que parecia confortável, foi sendo reduzida até a governadora Raquel Lyra (PSD) assumir a liderança em alguns levantamentos mais recentes. A mudança ocorreu menos por uma queda abrupta de João e mais pelo crescimento gradual de Raquel, impulsionado pela melhora da avaliação do governo.
Em agosto de 2025, na primeira pesquisa Genial/Quaest, João Campos aparecia em posição bastante confortável, com 55% das intenções de voto, contra 24% de Raquel Lyra. A diferença era de 31 pontos percentuais, refletindo o alto índice de aprovação do então prefeito do Recife e o desgaste inicial enfrentado pelo governo estadual.
O cenário começou a mudar ao longo de 2026. Na pesquisa Datafolha divulgada em abril, João ainda liderava, mas sua vantagem já havia diminuído. Ele aparecia com 50%, enquanto Raquel subia para 38%, reduzindo a distância para 12 pontos.
Dias depois, a Genial/Quaest mostrou um movimento semelhante. João liderava o primeiro turno com 42%, contra 34% de Raquel, e também aparecia à frente no segundo turno. Apesar da liderança do socialista, o instituto registrou uma melhora consistente da governadora tanto na intenção de voto quanto na avaliação administrativa.
O dado considerado mais importante daquela rodada da Quaest foi justamente a percepção sobre o governo. Pela primeira vez, 57% dos entrevistados afirmaram que Raquel merecia ser reeleita, revertendo o cenário observado em agosto de 2025, quando a maioria era contrária a um novo mandato. A pesquisa também apontou crescimento da aprovação da gestão estadual.
Nos meses seguintes, segundo as pesquisas divulgadas e acompanhadas pelo Jamildo.com, essa melhora na avaliação do governo passou a produzir reflexos eleitorais.
O resultado desse processo foi uma inversão gradual da dinâmica eleitoral. Enquanto João deixou de apresentar os índices superiores a 50% registrados no início da corrida, Raquel teve uma trajetória de crescimento contínuo, transformando uma disputa que parecia desequilibrada em uma eleição altamente competitiva. Levantamentos mais recentes, como o Paraná Pesquisas divulgado em julho, chegaram a colocar a governadora numericamente à frente.
O ex-prefeito também deixou a Prefeitura do Recife para percorrer o Estado como pré-candidato, encerrando a condição de gestor que lhe garantia elevada exposição institucional.
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