Alepe e Câmara do Recife retornam nesta segunda (02) em alta tensão política pré-eleição

Cynara Maíra | Publicado em 02/02/2026, às 07h27 - Atualizado às 08h06

Raquel Lyra e João Campos enfrentam pedidos de impeachment nas Casas Legislativas, que retomam hoje as atividades - Divulgação/ Todos pela Educação
COMPARTILHE:

Ler resumo da notícia

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE) e Câmara Municipal do Recife retornam às atividades legislativas nesta segunda-feira, 2 de fevereiro.

Até o momento, não há confirmação sobre a presença da governadora Raquel Lyra (PSD) ou João Campos (PSB) na abertura das atividades legislativas. 

Apesar da convocação da governadora ao longo do mês de janeiro, é apenas nessa retomada que os deputados devem debater as principais pautas favoráveis e desgastantes para gestão. 

Tanto Raquel quanto João receberam pedidos de impeachment por polêmicas administrativas entre o final de 2025 e 2026.

No caso municipal, a tendência é que o projeto não passe em votações, já que o socialista tem maioria absoluta e o presidente da Casa ao seu lado. A oposição contra João Campos tem 11 vereadores, seria necessário 19 votos para garantir a continuidade do processo. 

A situação difere para governadora. Mesmo com a maioria na Alepe, Raquel terá que passar pelos presidentes das principais comissões da Assembleia e pelo líder da Casa, todos oposicionistas de sua gestão. 

Em um ano eleitoral, mesmo que a Alepe tenha maiores chances de levar o tema adiante, a tendência é que essas pautas foquem apenas em diminuir a credibilidade dos respectivos gestores, que devem concorrer ao Governo de Pernambuco em 2026. 

Ambos os lados estão em uma guerra fria pouco silenciosa de acusações entre os grupos políticos. Raquel Lyra passa pelas críticas sobre a irregularidade da empresa de transporte do pai, a Logo Caruaruense, durante três anos de governo.

A situação levou à mudança na presidência da Empresa de Transporte Intermunicipal de Pernambuco (EPTI), que já alterou seu líder novamente esta semana, após polêmicas de falas antigas do presidente nomeado por Raquel, Yuri Coriolano. 

Raquel também passa pela polêmica do monitoramento do secretário de João Campos pela Polícia Civil. Apesar da Secretaria de Defesa Social alegar regularidade na ação de investigação preliminar, a oposição afirma que a atuação teria um cunho de monitoramento político. Neste fim de semana o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou uma investigação do caso pela Polícia Federal. 

Já João Campos é criticado pela transferência de posição de um candidato filho de magistrados em um concurso do município.

A gestão alega que houve apenas a inclusão do candidato na cota de pessoas com deficiência após apresentação de laudo de autismo, enquanto outros grupos alegam que a mudança não poderia ocorrer já que o período de comprovação de direito às cotas já teria passado.

Com a polêmica, a Prefeitura retrocedeu e deixou o processo nas mãos da Justiça, com os recursos dos participantes. 

A oposição do prefeito argumenta que o caso seria uma suposta moeda de troca entre a Prefeitura e os magistrados para ganhar favorecimento em processos. João Campos nega essas acusações. 

Raquel Lyra também aguarda retorno da Alepe

Apesar dos impasses que podem gerar desgaste político, Raquel também precisa do retorno da Alepe, já que aguarda a aprovação de novos pedidos de empréstimos, a regularização da Lei Orçamentária Anual e outros pontos. 

Raquel Lyra repassou esses projetos como prioridade durante a convocação extraordinária da Assembleia, mas não houve votações com o repasse de alguns itens para Procuradoria da Alepe e com as poucas reuniões que ocorreram no período. 

Os principais pontos de tensão estão nas mãos do deputado Antonio Coelho (União Brasil), que está como relator da LOA 2026 na Comissão de Finanças, e Alberto Feitosa, que preside a Comissão de Constituição e Justiça. A CCLJ está com os projetos dos novos pedidos de empréstimo. Feitosa já alertou que não haverá reunião da comissão nesta semana, já que fará uma cirurgia de hérnia. 

João Campos Raquel Lyra alepe Política Câmara do Recife eleição 2026

Leia também

STF autoriza investigação de monitoramento da Polícia Civil de Raquel Lyra contra secretário de João Campos


Raquel Lyra deve abrir consulta pública sobre concessão do Metrô do Recife e de ônibus da RMR


João Campos e TJPE firmam parceria para acelerar soluções em imóveis do Centro do Recife