Plantão Jamildo.com | Publicado em 18/12/2025, às 15h46
Após três anos de estudos técnicos, negociações institucionais e debates com municípios, enfim, aconteceu o leilão da Companhia Pernambucana de Saneamento. O resultado, obtido nesta quinta-feira (18): R$ 19 bilhões ao longo de 35 anos de concessão à iniciativa privada, além de R$ 4,2 milhões de outorgas.
Após o evento, que aconteceu na Bolsa de Valores, em São Paulo, o site Jamildo.com conversou com o secretário de Recursos Hídricos e Saneamento, Almir Cirilo. Ele afirmou que o modelo aprovado representa o maior investimento já realizado pelo Estado no setor, com previsão de R$ 23 bilhões aplicados ao longo dos próximos anos em abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Cirilo explicou que os estudos começaram no início da atual gestão e envolveram equipes internas do governo e empresas contratadas. Segundo ele, os trabalhos incluíram diagnósticos regionais, revisão de dados operacionais e a elaboração de planos regionais de saneamento.
“Foram anos de muita discussão técnica, ajustes de números e construção de um retrato real do saneamento básico em Pernambuco”, afirmou. O professor da UFPE destacou que o processo também envolveu audiências públicas e negociações com prefeitos, até a consolidação do formato levado a leilão.
De acordo com o secretário, o foco inicial dos investimentos será a redução do racionamento em áreas críticas. Entre as obras já mapeadas, citou sistemas adutores para regiões que dependiam de reservatórios esvaziados e intervenções em municípios do Sertão atendidos por estruturas antigas ligadas ao rio São Francisco.
“Há cidades em que a água não chega mais e outras que sequer têm rede de distribuição. Isso tudo vai entrar na definição de prioridades”, disse, ao ressaltar que as decisões serão tomadas em conjunto com a governadora Raquel Lyra (PSD) e, posteriormente, discutidas com as concessionárias vencedoras, Acciona, BRK e Pátria.
Sobre prazos, Cirilo afirmou que a execução vai variar conforme a complexidade de cada localidade. “Tem município que exige obras maiores e outros com intervenções menores. O que a gente pode afirmar é que Pernambuco vai virar um grande canteiro de obras nos próximos anos”, declarou.
O secretário também tratou da situação dos servidores da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). Segundo ele, há compromisso formal do governo com a manutenção dos empregos. “Não haverá demissão de funcionários da Compesa. Precisamos dessa equipe, inclusive para enfrentar problemas como perdas de água, furtos em adutoras e a recuperação de sistemas deteriorados”, afirmou.
Em relação às tarifas, Cirilo disse que o contrato assegura a manutenção da política atual de reajustes. “Está tudo previsto contratualmente. Os ajustes seguirão os mesmos índices e critérios que já são aplicados hoje, vinculados à inflação e à regulação”, declarou.
Sobre os R$ 4,2 bilhões em outorgas previstos no modelo, o secretário informou que parte dos recursos será destinada ao Estado e aos municípios, com divisão que considera critérios populacionais. Ele ressaltou que os valores deverão ser aplicados em investimentos.
“O saneamento rural continua sendo responsabilidade do Estado, e há também desafios como a drenagem urbana, que é atribuição municipal. Os recursos foram pensados para investimento, mas a aplicação final cabe a cada ente”, disse.
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