Secretária da Mulher do Cabo rebate acusação da Polícia de que ataque teria sido forjado

Aline Melo classificou as conclusões do inquérito como "briga política" e negou fraude. Polícia Civil indiciou gestora e motorista

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 19/05/2026, às 09h38 - Atualizado às 10h07

Colagem mostra, à esquerda, o detalhe de um vidro escuro estilhaçado com uma perfuração circular no centro. À direita, uma mulher jovem de cabelos longos e escuros olha séria para a câmera.
Aline Melo se pronuncia após Polícia Civil afirmar que ataque teria sido forjado - Reprodução

Aline Melo pronunciou-se pela primeira vez após a Polícia Civil concluir que o atentado sofrido por ela em março foi simulado.

A gestora publicou um vídeo na noite de segunda-feira para rebater o indiciamento por fraude processual, denunciação caluniosa e falsa comunicação de crime.

Aline Melo classificou as conclusões do inquérito policial como desumanas, desonestas e cruéis.

A secretária afirmou que o caso envolve uma briga política e que os opositores utilizam um fantoche para mobilizar as acusações.

A defesa da servidora argumentou que as denúncias tentam ofuscar as ações implementadas na Secretaria da Mulher do Cabo de Santo Agostinho.

A Polícia Civil passou a suspeitar da versão da gestora após analisar câmeras de videomonitoramento que registraram um encontro entre o carro oficial e o motociclista antes dos tiros.

Os investigadores identificaram o condutor da motocicleta como o pai do motorista da secretaria, o que gerou o indiciamento dele por tentativa de homicídio com dolo eventual.

A Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho determinou o afastamento imediato da secretária Aline Melo e do motorista Ewerton Eduardo de suas funções públicas.

A secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Aline Melo, pronunciou-se pela primeira vez após a Polícia Civil concluir que o atentado a tiros relatado por ela em março teria sido simulado.

Em vídeo na noite de segunda-feira (18), a gestora rebateu o indiciamento por fraude processual, denunciação caluniosa e falsa comunicação de crime. Ela afirmou que o caso trata de uma briga política e que os opositores utilizam um "fantoche" para mobilizar as acusações.

Aline Melo classificou as conclusões do inquérito como desumanas, desonestas e cruéis.

Não fujo do meu processo, nunca me escondi atrás do silêncio e, se eu me mantive calada até agora, foi porque o que estão fazendo comigo é desumano, é desonesto, é cruel; é ignorar o fato de que uma mulher está sofrendo. Temos provas suficientes para apontar muitos nomes, mas eu não acredito na política da especulação”, declarou a secretária.

A defesa da servidora argumentou que as denúncias tentam ofuscar as ações implementadas na pasta, como a criação do Centro Acolher e a ampliação do Centro de Referência Dinossobral, em Pontezinha. A gestora informou que o andamento do processo ficará sob a responsabilidade de seus advogados.

As Provas e as Contradições do Inquérito

A manifestação da secretária ocorreu horas após a delegada Myrthor Andrade detalhar o encerramento das investigações sobre o episódio do dia 26 de março, na rodovia PE-28. Na ocasião, Aline Melo e o motorista Ewerton Eduardo afirmaram que um motociclista efetuou disparos contra o veículo oficial em um ato de violência de gênero.

Segundo indicou o órgão de segurança, a Polícia Civil passou a suspeitar da versão após analisar câmeras de videomonitoramento do trajeto. As imagens registraram um encontro de 17 segundos entre o carro oficial e a motocicleta antes dos tiros. Os investigadores identificaram que o condutor da moto era o pai do motorista da secretaria.

A polícia aponta contradições nos depoimentos e indica que os servidores omitiram o encontro nas primeiras oitivas e, posteriormente, justificaram que a parada serviu para a entrega de uma caixa de canetas emagrecedoras.

O motorista preferiu permanecer em silêncio ao ser questionado sobre as imagens. O pai do condutor também acabou indiciado por tentativa de homicídio com dolo eventual, pois os laudos indicaram que os disparos geraram risco real aos ocupantes do veículo.

Diante do resultado do inquérito policial, a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho determinou o afastamento imediato de Aline Melo e do motorista Ewerton Eduardo de suas funções públicas. Em nota, a gestão municipal declarou que acompanhará o andamento do processo judicial e adotará as medidas administrativas cabíveis caso ocorra a condenação formal dos envolvidos.

O Centro das Mulheres do Cabo também emitiu uma nota pública manifestando surpresa com a conclusão das investigações. A entidade de direitos humanos alertou que episódios de simulação geram impactos negativos para as políticas públicas e aumentam o descrédito social enfrentado pelas redes de combate à violência de gênero.