Ministério Público atuará na acusação contra homem já condenado pelo assassinato da ex-companheira; caso reacende debate sobre feminicídio.
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 01/06/2026, às 13h50
MPPE atuará em julgamento de tentativa de feminicídio ocorrida em 2021.
Réu foi condenado em 2025 pelo assassinato da mesma vítima.
Caso teve repercussão após ameaças durante sessão do Tribunal do Júri.
Debate ocorre em meio ao aumento dos feminicídios em Pernambuco.
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio do Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ), atuará na acusação contra Jorge Bezerra da Silva em julgamento marcado para analisar uma tentativa de feminicídio cometida contra sua ex-companheira em 2021.
O caso ganha relevância por envolver o mesmo réu que já foi condenado, em julho de 2025, pelo feminicídio consumado da vítima. Na ocasião, Jorge Bezerra da Silva recebeu pena de 29 anos e 8 meses de reclusão pelo crime praticado em janeiro de 2022.
O julgamento anterior teve ampla repercussão após o condenado ameaçar, durante a sessão do Tribunal do Júri, a irmã da vítima, que prestava depoimento como testemunha, além do promotor de Justiça responsável pela acusação e do magistrado que presidia os trabalhos. Diante da situação, o réu precisou ser retirado do plenário.
Agora, o Ministério Público busca a condenação pela tentativa de feminicídio ocorrida meses antes do assassinato da ex-companheira. A acusação será sustentada em plenário pelo Núcleo de Apoio ao Júri, estrutura especializada do MPPE responsável por atuar em julgamentos de maior complexidade.
A discussão sobre prevenção à violência contra a mulher também passou a integrar a agenda da pré-candidata ao Senado Marília Arraes (PDT). Ela anunciou que iniciará uma série de encontros com especialistas, representantes da rede de proteção, lideranças femininas e movimentos sociais para discutir medidas de combate ao feminicídio, nesta pré-campanha.
A iniciativa ocorre em um cenário de crescimento desse tipo de crime em Pernambuco. Embora os índices gerais de mortes violentas intencionais tenham recuado 9,59% em 2025, os feminicídios registraram aumento de 15,7% no mesmo período, alcançando 88 vítimas.
Marília afirma que o enfrentamento à violência contra a mulher precisa envolver ações preventivas e fortalecimento da estrutura de atendimento. “Quando um feminicídio acontece, não é apenas uma vida que se perde. Muitas vezes, uma mãe é arrancada de seus filhos, e uma família inteira é destruída”, declarou.
Dados citados pela pré-candidata apontam que 77% das vítimas de feminicídio em Pernambuco não haviam registrado boletim de ocorrência antes do crime. Ela também defende a ampliação do funcionamento das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher em regime de plantão permanente, além do fortalecimento de políticas voltadas à autonomia econômica feminina.
Entre as propostas apresentadas estão a universalização do atendimento 24 horas nas delegacias especializadas, monitoramento do cumprimento de medidas protetivas, integração dos sistemas de atendimento às vítimas e ampliação da oferta de creches públicas como instrumento de apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade.