PL prevê que administradores ou responsáveis pelos locais acionem órgãos de segurança pública em caso de descumprimento de medida protetiva
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 25/03/2026, às 08h02 - Atualizado às 08h56
O deputado Gilmar Junior (PV) propôs um Projeto de Lei Ordinária que cria normas de segurança para mulheres e pessoas com medida protetiva em condomínios.
A iniciativa surge após casos recentes de feminicídio, incluindo o assassinato de uma jovem em um condomínio na Zona Sul do Recife.
O texto proíbe o agressor de acessar áreas frequentadas pela vítima e por familiares dentro do condomínio.
Síndicos e administradores deverão acionar a polícia caso o agressor apareça nas proximidades.
O projeto também prevê sigilo das informações e comunicação da medida protetiva a outros locais frequentados pela vítima.
O deputado estadual Gilmar Junior (PV) propôs um Projeto de Lei Ordinária que prevê a adoção de normas de segurança para mulheres e todos os beneficiários de medida protetiva em condomínios.
A pauta surge após uma onda recente de feminicídios em Pernambuco, com destaque para a morte da jovem estudante de 22 anos Isabel Cristina dos Santos, assassinada pelo ex-companheiro e artista, Silvio Souza, que cometeu suicídio em seguida, no Le Parc, condomínio da Zona Sul do Recife.
A proposta estabelece que o agressor fica proibido de acessar áreas condominiais onde resida, esteja ou frequente a vítima e demais familiares dependentes associados a ela. Para isso, a pessoa deveria comunicar à administração residencial os espaços que frequenta.
Conforme consta no Art. 3º do documento, os administradores ou responsáveis pelo condomínio ficam obrigados a contactar imediatamente os órgãos de segurança pública sobre a presença do agressor nas proximidades da vítima e de seus beneficiários.
Além disso, o projeto também prevê que os condomínios devam assinar termos de confidencialidade sobre as informações presentes na certidão de medida protetiva e/ou boletim de ocorrência.
O texto também prevê que a vítima comunique aos demais locais que frequenta sobre a medida protetiva, para que os demais estabelecimentos possam seguir as mesmas recomendações citadas.
Agora, o Projeto de Lei Ordinária 003940/2026 segue, primeiramente, para as comissões da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), onde será avaliado por deputados em temas diferentes, podendo ser acrescido com mais dispositivos.
Esta será a ordem:
A primeira avalia o caráter constitucional da matéria. Já as demais, nomeadas como temáticas, avaliam a relevância da pauta para o interesse público. Se rejeitada em mais de dois colegiados temáticos, a pauta é arquivada.
Após as comissões, o projeto segue para votação em dois turnos no plenário da Casa. Depois, segue para sanção da governadora.
Leia também