Pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos fala em monitoração de fronteiras como ferramenta no combate ao crime organizado
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 22/06/2026, às 11h18 - Atualizado às 11h19
O pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) criticou, no sábado (20), o esquema de segurança pública da governadora Raquel Lyra, afirmando que há uma excessão de policiais nas áreas mais caras do Recife, enquanto ocorre falta de efetivo no interior do estado.
A declaração foi dada à Rádio Grande Serra FM, de Araripina, por onde o ex-prefeito da capital pernambucana passou na última semana. João Campos também criticou a atuação policial no interior do estado.
"Uma coisa que me incomoda muito é a gente ver muitas vezes a polícia ser orientada a prender moto de agricultor, de um pai, de uma mãe de família que está trabalhando no campo e sustentando sua família. Prender uma motinha, que é o meio de transporte das pessoas, enquanto isso não está indo atrás de bandido, de traficante, de assassino, que é o que deve fazer", acrescentou o socialista.
Entre as possíveis ações para melhorar o cenário indicado pelo ex-gestor, João Campos destacou a implementação de novas delegacias da Mulher, que funcionem durante 24 horas, e de narcotráfico.
"A gente tem que fazer mais do que isso, tem que fazer com que o crime organizado não se crie no estado", afirmou. Para isso, o ex-prefeito sugeriu o monitoramento das fronteiras de Pernambuco com demais estados. "Nem arma, nem derivados de coca são produzidos no estado. Tudo isso vem de fora. Cuidar das fronteiras é decisivo", disse.
Um levantamento recente divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) registrou o Estado de Pernambuco em 3º lugar no ranking nacional de estados mais violentos do país.
Pernambuco contou, em 2024, com uma taxa de 37,3 mil homicídios a cada 100 mil habitantes, índice superior à média nacional de 20,1. O Estado aparece atrás apenas do Amapá, com taxa de 45,7, e da Bahia, com 40,9. Na sequência estão Alagoas (35,9) e Ceará (34,3).
Entre os municípios pernambucanos com mais de 100 mil habitantes, o Cabo de Santo Agostinho apresentou a maior taxa estimada de homicídios em 2024, com 59,9 mortes por 100 mil habitantes. Na sequência aparecem São Lourenço da Mata (56,9), Camaragibe (51,4), Recife (45,5), Petrolina (43,5), Olinda (40,5), Abreu e Lima (38,5), Vitória de Santo Antão (37,6), Jaboatão dos Guararapes (37,5) e Igarassu (34,3).