Grande Recife registra 72 de vítimas de bala perdida em 2025, diz Fogo Cruzado

Levantamento do Instituto Fogo Cruzado aponta 72 vítimas de bala perdida e recorde de crianças e adolescentes baleados na região metropolitana

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 26/02/2026, às 12h40

Polícia Militar
Confira detalhes sobre o levantamento - Foto: Divulgação

Grande Recife teve 72 vítimas de bala perdida em 2025.

Número representa aumento de 46,9% em relação a 2024.

Crianças e adolescentes baleados somaram 148 casos, recorde da série.

Recife concentrou 38% dos tiroteios registrados na região.

O Grande Recife registrou, em 2025, o maior número de vítimas de bala perdida desde o início do monitoramento do Instituto Fogo Cruzado, em 2019. Ao todo, 72 pessoas foram atingidas sem serem alvos diretos dos disparos. Destas, oito morreram e 64 ficaram feridas.

Em comparação com 2024, quando foram contabilizadas 49 vítimas — sete mortas e 42 feridas — houve aumento de 46,9% nos registros. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (26).

Para a coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco, Ana Maria Franca, os números evidenciam o impacto da violência armada sobre a população que não participa diretamente de confrontos.

A bala perdida é um retrato contundente do descontrole da violência armada. Sua gravidade se evidencia no fato de que as vítimas não estão envolvidas diretamente em confrontos, pois são pessoas que seguiam suas rotinas, em momentos de lazer, deslocamento ou trabalho, e foram, literalmente, atravessadas por tiros e pelo trauma físico e psicológico que permanece”, afirmou.

Ela acrescentou que a recorrência desses casos amplia a sensação de insegurança. “Trata-se de um evento que amplia a sensação coletiva de insegurança da população. Negar que essa realidade se impõe de forma concreta e cotidiana é omitir-se diante da responsabilidade constitucional do Estado de garantir proteção, segurança pública e o direito fundamental à vida”, declarou.

Crianças e adolescentes baleados também foi recorde

O relatório aponta ainda recorde no número de pessoas de até 17 anos atingidas por disparos em 2025. Ao longo do ano, 16 crianças foram baleadas, das quais quatro morreram. Entre adolescentes de 12 a 17 anos, 132 foram atingidos por tiros e 93 não resistiram.

Somados, os 148 casos envolvendo crianças e adolescentes representam o maior total anual desde 2019. Segundo o Instituto Fogo Cruzado, 96% dos adolescentes baleados foram vítimas de ataques diretos.

As investigações indicam que a maior parte dos adolescentes mortos tinha envolvimento com drogas, muitos deles aliciados por organizações criminosas. Para Ana Maria Franca, o enfrentamento do problema exige medidas articuladas.

O fortalecimento de políticas públicas de proteção e promoção social é fundamental para impedir a expansão do crime organizado, que se alimenta da vulnerabilidade e coopta principalmente os mais jovens. Repressão qualificada e proteção social devem caminhar juntas nessa tarefa”, disse.

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Em 2025, o instituto registrou média de quatro tiroteios ou disparos de arma de fogo por dia na região.

Tiroteios no Grande Recife

Entre os municípios, o Recife concentrou 38% das ocorrências mapeadas, com 561 registros. Jaboatão dos Guararapes somou 228 casos; Cabo de Santo Agostinho, 146; Olinda, 123; e Paulista, 95.

Nos bairros, Muribeca e Dois Unidos lideraram em número de pessoas baleadas, com 35 casos cada. Nova Descoberta teve 33 registros; Prazeres, 31; e Ponte dos Carvalhos, Cohab e Água Fria contabilizaram 25 ocorrências cada.

O levantamento mostra que 229 pessoas foram baleadas dentro de casa. Outras 52 foram atingidas durante eventos, 48 em bares, 46 dentro de automóveis, 20 em barbearias, três em presídios, duas em postos de gasolina, duas em lava jato, uma em transporte público e uma em unidade de ensino.

Entre as vítimas, 15 eram agentes de segurança — oito estavam de folga, quatro em serviço e três eram aposentados ou exonerados. Também foram registrados casos envolvendo trabalhadores informais: 33 mototaxistas, 19 motoristas de aplicativo, seis vendedores ambulantes e cinco entregadores ou motoboys foram baleados ao longo do ano.

Quanto às motivações, predominam homicídios e tentativas de homicídio, com 1.312 registros. Houve ainda 93 casos relacionados a roubo ou tentativa de roubo, 87 decorrentes de ação ou operação policial e 46 ligados a disputas.