Prefeito de Petrolina se reúne com Secretaria de Defesa Social após 44 homicídios em 50 dias e cobra reforço policial no município
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 24/02/2026, às 12h21
Petrolina registrou 44 homicídios nos primeiros 50 dias de 2025.
Prefeito solicitou nova delegacia e ampliação do efetivo policial.
Disputa entre facções intensificou violência após o Carnaval.
SDS enviou 68 PMs e reforçou equipes da Polícia Civil na cidade.
O prefeito de Petrolina, Simão Durando (União Brasil), esteve no Recife na segunda-feira (23) para tratar do aumento dos homicídios no município do Sertão. Ao lado do deputado estadual Antonio Coelho (União Brasil), ele se reuniu com o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, para solicitar medidas de reforço na segurança pública.
Segundo dados apresentados pelo prefeito, nos primeiros 50 dias de 2025 foram registrados 44 homicídios na cidade, quase o dobro do contabilizado no mesmo período do ano anterior. O gestor afirmou que já havia tratado do tema com a governadora Raquel Lyra (PSD), em conversa telefônica realizada no sábado anterior ao encontro.
Durante a reunião na Secretaria de Defesa Social, Simão Durando solicitou a instalação de uma nova delegacia distrital, ampliação do efetivo das polícias Militar e Civil e reforço na estrutura de investigação. Também defendeu a implantação de câmeras de monitoramento e o uso de ferramentas de inteligência para prevenção de crimes.
“Petrolina cresceu muito, já somos a maior cidade do interior e vamos crescer muito mais. É urgente que o efetivo da polícia e a estrutura de segurança acompanhem esse desenvolvimento. Conversei com a governadora no sábado e agora com o secretário de segurança para que seja dada uma resposta urgente. Precisamos trabalhar integrados para combater a atuação de criminosos em nossa região”, afirmou o prefeito após a reunião.
A escalada recente da violência na Pérola do Sertão é atribuída à disputa entre grupos criminosos que atuam no Vale do São Francisco. Entre eles estão o Comando Vermelho, com origem no Rio de Janeiro, e o Bonde do Maluco, que surgiu no sistema prisional da Bahia.
As duas organizações já mantinham atuação na região, mas a intensificação dos confrontos após o Carnaval resultou em mais de dez mortes em poucos dias, conforme registros da SDS. Outros grupos armados também tentam ocupar áreas de influência, ampliando o cenário de instabilidade.
O Comando Vermelho atua em diversos estados, com foco no tráfico de drogas e armas. O Bonde do Maluco, criado em 2015 em Salvador, expandiu sua presença para estados do Nordeste e do Centro-Oeste, conforme relatório divulgado em 2023 pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen). A divisa entre Pernambuco e Bahia, justamente em Petrolina-Juazeiro, é apontada como um dos fatores que facilitam a mobilidade de integrantes entre os estados.
Dados da Secretaria de Defesa Social indicam que 181 pessoas foram assassinadas em Petrolina ao longo de 2024, ante 168 em 2023. Em janeiro deste ano, foram registrados 27 homicídios, número superior ao do mesmo mês do ano anterior. Em fevereiro, os índices permaneceram elevados.
Diante do aumento dos crimes, a Secretaria de Defesa Social determinou o envio de 68 policiais militares de diferentes batalhões para reforçar o patrulhamento ostensivo. A operação foi denominada São Francisco e prevê ações em áreas com maior incidência criminal.
A Polícia Civil destacou dois delegados, dez agentes e seis escrivães para atuar na Delegacia de Homicídios e nas delegacias circunscricionais do município.
O secretário executivo de Defesa Social, Felipe Monteiro, informou que há investigações em andamento e que a atuação conjunta com a Bahia está sendo intensificada.
“Sabemos que há uma dificuldade do ponto de vista operacional por causa da divisa entre os estados, mas estamos em articulação com a Bahia para trabalhar de forma integrada”, declarou. Ele acrescentou que a reunião presencial com a cúpula da segurança foi necessária para alinhar apurações consideradas mais complexas.
Também estiveram em Petrolina a secretária-executiva da SDS, Mariana Cavalcanti, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ivanildo Torres, e a delegada-geral adjunta da Polícia Civil, Beatriz Leite.