Ministro da Previdência comenta que assumiu pasta em momento de crise, fala da fraudes no INSS e destaca impacto econômico do sistema no país
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 07/03/2026, às 09h51
Wolney Queiroz disse ter assumido Previdência na maior crise do governo Lula.
Ministro afirmou que cerca de 118 milhões de brasileiros estão protegidos pelo sistema.
Previdência movimenta cerca de R$ 84 bilhões por mês na economia, segundo ele.
Governo identificou cerca de 9 milhões de descontos em benefícios do INSS.
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), afirmou que assumiu o comando da pasta em um momento de crise e com a missão de reorganizar o sistema, combater fraudes e garantir proteção aos aposentados. A declaração foi dada em entrevista ao PodJá, podcast do site Jamildo.com, que vai ao ar neste sábado (7), a partir das 14h.
Segundo o ministro, o convite para assumir o cargo partiu diretamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando Carlos Lupi, então ministro, foi exonerado assim que o escândalo de fraudes no INSS veio à tona. Wolney era número 2 na pasta, assumiu imediatamente.
“Eu fui escalado pelo presidente Lula para ser ministro da Previdência Social na maior crise do governo e na maior crise da história da Previdência Social. Ele me chamou porque eu sou um político que tem trânsito na esquerda e na direita, e tinha que ser alguém com esse perfil para encarar aquele desafio”, afirmou.
De acordo com Wolney, o presidente estabeleceu três prioridades ao convidá-lo para a função: proteger os aposentados, investigar os responsáveis por fraudes e garantir que os beneficiários não arcassem com prejuízos.
“Ele me pediu para cuidar dos aposentados, ir atrás de quem fraudou os aposentados e garantir que nenhum aposentado ficaria no prejuízo. Esses foram os recados, que na verdade são determinações do presidente”, disse.
O ministro relatou que a posse ocorreu de forma discreta, sem cerimônias formais. “Todo mundo que é convidado para ser ministro faz uma posse solene, tem cerimônia, jantar com aliados. Eu não tive direito a nada disso. Foi a assinatura junto do presidente e um tapinha nas costas dizendo: ‘vamos, pega no serviço que tem muita coisa para fazer’”, contou.
Durante a entrevista, Wolney destacou o alcance da Previdência Social no país e afirmou que o sistema tem papel central na proteção social e na movimentação da economia.
Segundo ele, atualmente cerca de 118 milhões de brasileiros estão protegidos pelo sistema previdenciário. Além disso, há aproximadamente 77 milhões contribuem regularmente para garantir a aposentadoria no futuro.
O ministro também ressaltou o volume de recursos movimentados pelo sistema. “São R$ 1 trilhão e 149 bilhões investidos na economia brasileira por ano. São R$ 84 bilhões por mês. Em 70% dos municípios brasileiros, a maior entrada de dinheiro é da Previdência Social, não é do Fundo de Participação dos Municípios (FPM)”, afirmou.
Na avaliação de Wolney, esses recursos acabam sendo reinjetados diretamente na economia local. “Em média, o benefício é de cerca de R$ 1.800. Ninguém poupa esse valor. Esse dinheiro vai para a microeconomia das cidades e ajuda a girar a economia”, disse.
Ele afirmou que o debate público costuma destacar apenas problemas do sistema, como filas ou fraudes, e pouco aborda o papel social da Previdência. “As pessoas lembram da Previdência quando não podem mais trabalhar, quando se aposentam, quando um trabalhador se acidenta ou quando uma família perde o seu mantenedor”, declarou.

Questionado sobre a crise envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS e possíveis reflexos eleitorais para o governo, Wolney afirmou que o episódio foi tratado como uma das situações mais graves enfrentadas pela gestão federal.
“A sua pergunta é muito pertinente porque o desgaste foi visível”, afirmou. Segundo o ministro, o presidente reagiu com indignação ao tomar conhecimento do problema. “É um ambiente da sociedade com o qual ele tem muito cuidado, que são os mais vulneráveis, os idosos”, disse.
Wolney reconheceu que o episódio teve impacto negativo inicial para o governo, mas afirmou que houve reação rápida para identificar os casos. De acordo com ele, cerca de 9 milhões de pessoas tiveram algum tipo de desconto identificado nos benefícios.
“Claro que a primeira repercussão foi muito negativa para o governo. Agora o governo agiu rápido. Em três meses nós já estávamos com todos os nomes das pessoas que foram descontadas”, afirmou.
O ministro também comentou que a Previdência Social precisa ampliar ações de conscientização, especialmente entre os jovens, para estimular o planejamento da aposentadoria.
Segundo ele, o ministério desenvolve um programa voltado para estudantes, com o objetivo de apresentar o funcionamento do sistema e incentivar a contribuição previdenciária desde cedo.
“A gente tem um programa chamado Poupadores do Futuro, em que o ministério faz exposições em escolas para explicar a importância da Previdência Social. A ideia é fazer com que o jovem comece a pensar em planejamento para o futuro”, disse.
Ao falar sobre aposentadoria, Wolney afirmou que o valor do benefício está diretamente relacionado ao nível de contribuição ao longo da vida profissional.
“As pessoas não podem esperar se aposentar pelo teto se não contribuíram pelo teto. A aposentadoria é pensada para manter o padrão de renda que a pessoa tinha antes de se aposentar”, afirmou.
Ele também defendeu que eventuais mudanças no sistema considerem o impacto social das decisões. “Quando a gente fala de números e estatísticas, às vezes esquece que são vidas. Uma reforma da Previdência impacta diretamente pessoas que trabalharam a vida inteira”, declarou.
Além da crise do INSS e das dificuldades da Previdência Social, Wolney Queiroz falou de questões políticas, da filiação da ex-deputada federal Marília Arraes e da polarização pelo Palácio do Campo das Princesas, na entre João Campos (PSB) e da governadora Raquel Lyra (PSD). Confira a partir das 14h, no YouTube do Jamildo Melo.