Ciro Nogueira comunicou decisão a Flávio Bolsonaro; federação quer preservar alianças estaduais e pode manter neutralidade também no segundo turno
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 22/07/2026, às 17h53
União Progressista decidiu permanecer neutra na eleição presidencial.
Ciro Nogueira comunicou a decisão ao senador Flávio Bolsonaro.
Diretórios estaduais terão liberdade para formar alianças locais.
Campanha do PL intensifica negociações com o Republicanos em busca de um aliado nacional.
A federação União Progressista, formada por Progressistas (PP) e União Brasil, decidiu adotar uma posição de neutralidade na eleição presidencial de 2026. A decisão foi comunicada pelo presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, durante conversa realizada nesta quarta-feira (22).
A definição representa um revés para a campanha do parlamentar do PL, que buscava ampliar sua base de apoio com a adesão da federação. Segundo interlocutores das negociações, a neutralidade deverá valer para o primeiro turno e poderá ser mantida também em um eventual segundo turno.
Antes da decisão da federação, a campanha de Flávio Bolsonaro já havia recebido outra negativa. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) recusou o convite para integrar a chapa presidencial como candidata a vice-presidente. A deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE) também chegou a ser cotada nominalmente pelo presidenciável. Apesar disso, a coordenação da campanha pretende manter as negociações até o encerramento do prazo para formação das coligações, em 5 de agosto, apostando em uma possível melhora no desempenho do senador nas pesquisas eleitorais.
A principal justificativa apresentada pelos dirigentes da União Progressista para adotar uma posição neutra foi preservar a autonomia dos diretórios estaduais. A avaliação é de que uma aliança nacional com um candidato à Presidência poderia dificultar as composições locais, já que a federação participa de cenários políticos distintos pelo país.
Em alguns estados, lideranças do PP e do União Brasil deverão apoiar candidatos alinhados à direita, enquanto em outros poderão integrar chapas que contam com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A neutralidade na disputa nacional é vista como uma forma de evitar conflitos internos e ampliar a liberdade para essas alianças regionais.
Além do fator estadual, também influenciou a decisão a avaliação de dirigentes das duas legendas sobre o momento vivido pela candidatura de Flávio Bolsonaro. Integrantes da federação apontam falta de entusiasmo com a campanha do senador, que enfrenta um período de dificuldades internas. Também pesou o receio de que surjam novas acusações envolvendo a relação do pré-candidato do PL com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A decisão marca uma mudança em relação ao cenário das eleições de 2022. Naquele pleito, o Progressistas integrou a coligação do então presidente Jair Bolsonaro (PL), e a relação entre Ciro Nogueira e o ex-chefe do Executivo era considerada uma das mais próximas dentro da base governista.
Após perder o apoio da União Progressista, a campanha de Flávio Bolsonaro voltou suas articulações para o Republicanos, partido que também integrou a aliança de Jair Bolsonaro em 2022. No entanto, a negociação enfrenta obstáculos semelhantes.
Dirigentes do Republicanos também sinalizam preferência por uma postura de neutralidade na eleição presidencial. A legenda reclama da falta de reciprocidade do PL nas disputas estaduais, especialmente em estados onde os dois partidos lançaram candidatos concorrentes ao governo.