TRE mantém pesquisa Quaest após pedido de impugnação pela campanha de Raquel Lyra

TRE rejeitou tentativas de suspender a pesquisa Quaest após solicitação de Raquel, que alegou vínculo comercial da pesquisa com o PSB

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 03/10/2026, às 09h07 - Atualizado às 09h48

LOGO DA QUAEST

O TRE-PE rejeitou dois pedidos da coligação de Raquel Lyra (PSD) para proibir a divulgação da pesquisa Quaest contratada pela TV Globo.

A decisão garante a publicação dos dados de intenção de voto para Governador e Senador neste sábado (03), véspera do pleito.

A campanha governista questionou a metodologia de ajustes estatísticos do instituto, mas a Justiça considerou o registro regular e com fontes oficiais.

Uma segunda tentativa baseada em reportagens sobre contratos do PSB com a empresa também foi descartada pelo tribunal por falta de provas de fraude.

A equipe de João Campos (PSB) criticou a ação judicial de Raquel, atribuindo a investida ao crescimento do candidato nas pesquisas recentes.

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) negou os pedidos de liminar apresentados pela coligação da governadora Raquel Lyra (PSD) para suspender a divulgação da nova pesquisa Quaest, contratada pela TV Globo. Com a decisão, os números sobre a disputa para o Governo do Estado e para o Senado Federal estão liberados para publicação neste sábado (03), véspera do primeiro turno.

A investida jurídica da campanha governista ocorreu após os últimos levantamentos apontarem um cenário de empate técnico com o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), com o socialista oscilando para cima na reta final da disputa estadual.

Na representação inicial, a coligação Pernambuco de Coração contestou o registro metodológico do instituto.

Os advogados da governadora alegaram que a Quaest não detalhou com profundidade como e quando usaria métodos de ajuste estatístico, conhecidos no mercado como mecanismos de pós-estratificação e modelos de eleitor provável, para calibrar o perfil dos entrevistados com a realidade da população. A tese sustentava que essa falta de dados prévios impedia a fiscalização do estudo.

O relator do caso na Corte eleitoral, desembargador Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, rejeitou o argumento e considerou que o registro cumpre as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o magistrado, o instituto informou as fontes públicas oficiais de dados, como Censo 2022, TSE e IBGE, além de definir cotas de sexo, idade, renda e escolaridade.

"Com efeito, a petição não apresenta elemento objetivo que estabeleça relação entre os pagamentos noticiados e eventual interferência na metodologia, na coleta, na ponderação ou nos resultados da pesquisa PE-09665/2026. A própria representante afirma não pretender, neste momento, o reconhecimento da ocorrência de fraude", cita a decisão, que também usa uma posição do TRE-SP que alega que "Meras suspeitas, levantadas em matéria jornalística sem qualquer relação com a pesquisa dos autos, não é suficiente para autorizar a suspensão da divulgação da pesquisa" 

O magistrado destacou que a legislação eleitoral não obriga as empresas a detalharem fórmulas matemáticas fechadas para justificar o cancelamento prévio de uma sondagem de intenção de voto.

Poucas horas após a primeira negativa, a coligação de Raquel protocolou uma segunda petição apontando um suposto fato novo. O grupo anexou reportagens sobre contratos comerciais do PSB com o instituto de pesquisa para reforçar a tentativa de veto.

O relator voltou a indeferir a solicitação no fim da noite de sexta-feira (02). O desembargador pontuou que reportagens e suspeitas genéricas não comprovam ligação com os dados do levantamento de campo nem indicam manipulação no trabalho feito para a TV Globo.

Ao contrário do caso da AtlasIntel, suspensa pela Justiça Eleitoral por problemas no filtro de identificação do eleitor pernambucano, o levantamento da Quaest deve sair neste sábado (03).