Pesquisa AtlasIntel é impugnada após representação da campanha de Raquel Lyra

TRE impugnou pesquisa AtlasIntel por falta de filtro para confirmar se entrevistados eram de Pernambuco. Solicitação veio da campanha de Raquel Lyra

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 03/10/2026, às 08h06 - Atualizado às 08h50

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O TRE-PE atendeu a pedido da campanha de Raquel Lyra (PSD) e proibiu a divulgação da pesquisa AtlasIntel que sairia neste sábado (03).

A Justiça considerou irregular o questionário da empresa por não incluir perguntas prévias para conferir se os entrevistados votam de fato em Pernambuco.

O tribunal fixou multa de R$ 30 mil caso o instituto publique os dados ou envie os resultados a candidatos, partidos e veículos de comunicação.

A coligação governista já havia tentado barrar levantamentos de outros institutos, como Paraná Pesquisas, Real Time Big Data, Ipespe e Quaest, sem sucesso na maioria das ações.

A coligação de João Campos (PSB) também acionou a Justiça contra empresas como Índice, São Judas Tadeu, Boas Ideias e Ranking de Pesquisa na reta final da disputa.

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) suspendeu a divulgação da pesquisa do instituto AtlasIntel sobre as disputas para Governo do Estado e Senado.

A decisão atendeu a um pedido liminar da coligação Pernambuco de Coração, encabeçada pela governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD). O levantamento devia ser divulgado neste sábado (03), véspera do primeiro turno das eleições.

O relator do processo na Corte Eleitoral, desembargador Fernando Braga Damasceno, determinou que a AtlasIntel não publique os números do estudo nem repasse os dados para terceiros, veículos de imprensa ou redes sociais. Em caso de descumprimento, o tribunal fixou multa de R$ 30 mil por ato.

A coligação governista apontou a ausência de um mecanismo inicial para garantir que os entrevistados realmente votavam em Pernambuco no questionário da AtlasIntel e um questionamento sobre o arredondamento da margem de erro, informada em 2,0 pontos percentuais.

Na avaliação do magistrado, o problema esteve na falta de controle sobre os participantes. O questionário com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começava com as perguntas de voto para o governo, sem checar antes se a pessoa tinha domicílio eleitoral no estado ou se estava apta a votar.

As únicas perguntas territoriais apareciam no final do formulário, abordando apenas o município e o bairro onde a pessoa mora. Para a Justiça, morar no estado não garante que o participante seja de fato um eleitor local, já que alguém pode residir em Pernambuco e ter título eleitoral registrado em outra região do país.

Sobre a margem de erro, o relator não considerou a queixa suficiente para barrar o estudo, pois a lei eleitoral não exige uma fórmula única de cálculo. No entanto, manteve o veto à divulgação por causa da falta de filtro do eleitorado, apontando risco ao debate público a um dia das urnas abrirem.

A ação contra o instituto faz parte de uma disputa jurídica entre as principais campanhas neste fim de campanha. A própria coligação de Raquel Lyra já acionou o TRE-PE contra levantamentos de outras empresas, como Paraná Pesquisas, Real Time Big Data, Ipespe e Quaest.

A Frente Popular do candidato João Campos (PSB) também adotou estratégia semelhante na Justiça contra pesquisas locais. O grupo socialista apresentou contestações contra levantamentos das empresas Índice Pesquisa e Inteligência, Boas Ideias Inteligência, além de ingressar com acusações de possíveis fraudes em estudos atribuídos ao Instituto Ranking de Pesquisa e ao Grupo de Pesquisa São Judas Tadeu.