Raquel respondeu aos questionamentos do adversário sobre sua gestão, apresentou números de obras e investimentos e diz que pretende ampliar entregas
por Jamildo Melo
Publicado em 01/10/2026, às 19h34 - Atualizado às 19h47
Raquel Lyra usou o último debate antes do primeiro turno para responder às críticas de João Campos e defender os resultados de seu governo
A candidata à reeleição citou estradas, hospitais, abastecimento de água e emprego e prometeu ampliar os investimentos em um segundo mandato
Raquel também destacou a parceria com Lula, numa disputa em que a relação com o presidente virou um dos pontos de confronto entre as campanhas
A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) aproveitou o último debate antes do primeiro turno para responder às críticas de João Campos (PSB), defender os resultados de sua gestão e reforçar a relação institucional que mantém com o presidente Lula (PT).
O debate promovido pelo Sistema Jornal do Commercio, nesta quinta-feira (1º), ocorreu a três dias da votação e em meio a uma disputa apertada pelo Governo de Pernambuco.
Pesquisa Datafolha divulgada no mesmo dia aponta Raquel com 50% dos votos válidos e João com 47%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
Ao longo do debate, Raquel procurou responder aos questionamentos de João contrapondo as críticas do adversário com obras e investimentos realizados pelo Governo do Estado.
A governadora citou intervenções em rodovias, hospitais e abastecimento de água e afirmou que pretende ampliar essas ações caso conquiste um segundo mandato.
“Foram mais de 1.600 quilômetros de estradas feitos, e mais 1.500 quilômetros em obra. Vou fazer mais 3.000 quilômetros”, declarou, em informe ao site Jamildo.com.
Raquel também citou a entrega do Hospital da Mulher do Agreste e afirmou que outros quatro hospitais estão em construção.
Na área de abastecimento, disse que seu governo levou água para 800 mil pessoas e que há R$ 25 bilhões previstos para investimentos no setor.
Os números apresentados pela candidata fazem parte do balanço defendido por sua campanha e precisam ser separados das novas promessas: parte das ações citadas está concluída ou em execução, enquanto outras dependem de um eventual segundo mandato.
“Não é promessa, já está sendo feito”, afirmou Raquel.
O embate entre os dois principais candidatos também colocou frente a frente as experiências administrativas de João na Prefeitura do Recife e de Raquel no Governo de Pernambuco.
Durante o debate, os dois trocaram críticas sobre suas gestões, alianças políticas e investigações envolvendo aliados.
Raquel reagiu afirmando que a campanha tem sido marcada pelo que classificou como “fake news” e disse defender uma discussão sobre resultados e propostas.
“Eu sou governadora de Pernambuco há três anos e nove meses e estou pronta para liderar o melhor momento da nossa história”, afirmou.
A declaração é parte do discurso eleitoral da candidata. A avaliação sobre o desempenho do governo é objeto da própria disputa: enquanto Raquel apresenta investimentos e entregas como argumento para a continuidade, João utiliza problemas em áreas como segurança, infraestrutura e serviços públicos para defender uma mudança de comando.
Outro ponto utilizado pela governadora para responder às críticas foi a condução ética de sua administração.
Raquel afirmou que não houve “escândalo de corrupção” em seu governo e relacionou essa posição à sua trajetória como delegada da Polícia Federal e procuradora do Estado.
“Nós estamos aqui para definir quem é a governadora que vai governar Pernambuco nos próximos anos. É sobre que tipo de política você quer, é sobre que tipo de gestão você quer”, declarou.
A afirmação sobre ausência de escândalos foi feita pela própria candidata e integra sua argumentação eleitoral.
Raquel também procurou responder a outro eixo explorado por João Campos durante a campanha: a relação com o presidente Lula.
João tem apresentado a aliança política com o petista como um ativo de sua candidatura. Na reta final, os dois participaram juntos de atos no Recife, enquanto o socialista passou a destacar a parceria com o Governo Federal para viabilizar obras realizadas durante sua passagem pela Prefeitura.
Raquel adotou estratégia diferente. Mesmo sem integrar o campo político de Lula na eleição estadual, passou a enfatizar a relação institucional construída entre os governos estadual e federal.
“A gratidão ao presidente Lula é indiscutível. A gente trabalhou muito junto e eu quero fazer ainda mais”, afirmou.
A disputa pela associação com Lula também apareceu nos últimos programas eleitorais de Raquel e João. Ambos citaram o presidente ao apresentar obras e parcerias realizadas em Pernambuco.
Para sustentar o argumento, Raquel citou obras realizadas com participação do Governo Federal.
“Eu fui ao presidente Lula na primeira semana de governo. Pedi a ele que a gente pudesse trabalhar junto para a gente fazer Pernambuco crescer”, disse.
A governadora mencionou a BR-104, o Canal do Fragoso e programas habitacionais como exemplos dessa relação.
Segundo Raquel, 34 mil moradias foram entregues em Pernambuco por meio da combinação dos programas Morar Bem, do Estado, e Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal.
A referência a Lula tem peso particular nesta reta final porque João Campos conta com o apoio político direto do presidente e busca associar sua candidatura à parceria com o Governo Federal.
Raquel, por sua vez, procura diferenciar apoio eleitoral de relação administrativa: reconhece a parceria com Lula e reivindica resultados obtidos conjuntamente, sem integrar a chapa estadual apoiada pelo petista.
O tema se tornou mais um terreno de confronto entre os dois candidatos justamente quando a disputa chega aos últimos dias em cenário de empate técnico.