Troca de acusações entre Mendonça e Humberto esquenta reta final pelo Senado; dados do MEC confirmam recomposição de R$ 4,7 bi na Educação em 2016
por Jamildo Melo
Publicado em 01/10/2026, às 16h28 - Atualizado às 16h43
Mendonça Filho reagiu às críticas de Humberto Costa e negou ter atuado contra cotas raciais ou promovido cortes na Educação quando comandou o MEC
Registros oficiais confirmam que R$ 4,7 bilhões de um corte de R$ 6,4 bilhões no orçamento da pasta foram recompostos em 2016
A troca de acusações leva a disputa pela educação para a reta final da corrida pelas duas vagas de Pernambuco no Senado
O candidato ao Senado Mendonça Filho (PL) reagiu nesta quinta-feira (1º) às críticas feitas pelo senador Humberto Costa (PT) sobre sua atuação à frente do Ministério da Educação (MEC). Em resposta, Mendonça acusou o adversário de divulgar informações falsas e transformou sua passagem pelo ministério em argumento na reta final da campanha.
“Desafio Humberto a mostrar uma ação minha contra o ingresso na universidade por cotas raciais e a provar que cortei recursos da educação”, afirmou Mendonça. A declaração é uma resposta às críticas feitas por Humberto e aliados durante encontro com profissionais da educação.
A troca de acusações amplia um confronto que já vinha aparecendo na campanha para o Senado. Humberto e Mendonça ocupam campos políticos opostos e têm usado a gestão do pernambucano no MEC, durante o governo Michel Temer, como um dos pontos de divergência.
Uma das principais afirmações apresentadas por Mendonça em sua defesa pode ser confrontada com registros oficiais da época.
Mendonça assumiu o Ministério da Educação em maio de 2016. Segundo registros do próprio MEC e do Senado, o orçamento da pasta havia sofrido uma redução de R$ 6,4 bilhões naquele ano e, já no governo Temer, R$ 4,7 bilhões desse montante foram recompostos.
Em 2017, o MEC também informou ter liberado 100% do orçamento de custeio previsto para universidades e institutos federais. Os recursos eram destinados a despesas como manutenção das instituições e assistência estudantil.
Esses números dão sustentação à afirmação de Mendonça sobre a recomposição orçamentária, mas não encerram a disputa política sobre a política educacional do governo Temer, que foi alvo de críticas do PT, de entidades ligadas à educação e do próprio Humberto Costa durante aquele período. Em 2018, por exemplo, Humberto já fazia críticas públicas à gestão de Mendonça no MEC.
Mendonça também contestou a afirmação de que teria desconsiderado critérios de qualidade na expansão dos cursos de Medicina.
Ao deixar o MEC, em abril de 2018, Mendonça assinou medidas suspendendo por cinco anos novos editais para abertura de cursos de Medicina e pedidos de ampliação de vagas existentes. A medida foi apresentada pelo governo como uma forma de avaliar a expansão ocorrida nos anos anteriores.
A existência da suspensão é confirmada por documentos oficiais. O Conselho Nacional de Saúde chegou a recomendar posteriormente a revogação das portarias 328 e 329 de 2018, que estabeleceram as restrições.
Isso não significa que não tenham sido abertas vagas durante a gestão de Mendonça. Em fevereiro daquele mesmo ano, por exemplo, o então ministro participou da aula inaugural de um novo curso de Medicina no Paraná, decorrente de edital lançado anteriormente no âmbito do programa Mais Médicos.
Na resposta a Humberto, Mendonça também citou como realizações de sua passagem pelo MEC a política de escolas em tempo integral, a reforma do ensino médio e ações relacionadas ao Fies, Pronatec e MedioTec.
O candidato ainda afirmou ter participado da entrega e expansão de unidades de universidades e institutos federais em Pernambuco, citando municípios como Paulista, Abreu e Lima, Igarassu, Jaboatão dos Guararapes, Santa Maria da Boa Vista, Serra Talhada, Belo Jardim e Salgueiro.
As realizações são apresentadas por Mendonça como contraponto à narrativa petista sobre sua gestão. Já Humberto e seus aliados procuram associar o período do governo Temer a retrocessos na política educacional.
É nesse terreno que a discussão deixa de ser apenas administrativa e passa diretamente para a disputa eleitoral.
O embate acontece nos últimos dias antes do primeiro turno, em uma disputa competitiva pelas duas vagas de Pernambuco no Senado.
No Datafolha divulgado em 24 de setembro, Marília Arraes (PDT) aparecia com 19% das intenções de voto, Humberto Costa com 17% e Mendonça Filho com 13%. Considerada a margem de erro de três pontos percentuais, havia situações de empate técnico entre candidatos próximos.
Ao dizer que o PT estaria “desesperado” com as pesquisas e prever sua própria vitória, Mendonça faz uma interpretação política dos números. Os levantamentos medem as intenções de voto no período em que são realizados e não permitem concluir antecipadamente o resultado da eleição.
Na reta final, porém, a educação virou mais uma frente da disputa direta entre Humberto e Mendonça — agora com acusações sobre cotas, orçamento do MEC e expansão do ensino superior no centro do confronto.