João e Raquel fizeram balanços distintos sobre Pernambuco, apresentaram investimentos e propostas e convergiram na parceria com Lula na mensagem final
por Jamildo Melo
Publicado em 01/10/2026, às 09h14 - Atualizado às 16h10
João Campos e Raquel Lyra aproveitaram o último guia eleitoral antes do primeiro turno para condensar suas principais mensagens de campanha
O candidato do PSB defendeu mudança no comando estadual, enquanto a governadora apresentou entregas e pediu continuidade
Em uma disputa equilibrada nas pesquisas, os dois também buscaram associar suas candidaturas à parceria com o presidente Lula
O último guia eleitoral antes do primeiro turno das eleições de 2026 virou uma síntese das estratégias adotadas por João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) na disputa pelo Governo de Pernambuco.
Nos programas exibidos na noite desta quarta-feira (30), João encerrou sua participação defendendo uma mudança no comando estadual e prometendo recuperar o que chamou de liderança de Pernambuco no Nordeste e no Brasil. Raquel, candidata à reeleição, apresentou obras e investimentos de sua gestão e pediu mais quatro anos para dar continuidade ao trabalho.
Há ainda um ponto de convergência nas mensagens finais dos principais adversários: os dois citaram o presidente Lula (PT) como parceiro.
O encerramento do guia ocorre em uma eleição apertada. Pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (29) mostrou João Campos e Raquel Lyra empatados, com 42% das intenções de voto cada. O levantamento ouviu 1.302 eleitores entre os dias 25 e 28 de setembro e tem margem de erro de três pontos percentuais.
No último programa, João Campos recuperou realizações de sua passagem pela Prefeitura do Recife e apresentou a experiência municipal como credencial para governar Pernambuco.
Foram citados parques, pontes, o Hospital da Criança e o Recife no Mundo, programa de intercâmbio destinado a estudantes da rede municipal.
João também voltou a explorar politicamente a relação com Lula e lembrou a parceria do presidente com o ex-governador Eduardo Campos.
“Nosso estado precisa de um governo à altura de Pernambuco, sempre pronto para inovar e para olhar para frente. Eu estou aqui para isso: para pedir a oportunidade de poder me dedicar por inteiro para recuperar a liderança e a força do nosso estado no Nordeste e no Brasil”, afirmou.
Na parte propositiva, o candidato citou duplicação de estradas, mais de 90 obras de abastecimento de água, construção de quatro hospitais, bolsas para cursos superiores de tecnologia, criação do Pé-de-Meia Pernambuco e isenção do IPVA para motos de até 180 cilindradas.
Ao encerrar o programa, João voltou a associar um eventual governo estadual à relação com o Palácio do Planalto.
“Junto com o presidente Lula, a gente vai botar as coisas para moer e com o pé no acelerador”, declarou.
Raquel Lyra seguiu uma estratégia diferente. Como candidata à reeleição, utilizou o último guia principalmente para apresentar um balanço do governo e defender que os investimentos realizados desde 2023 justificam a continuidade da gestão.
Entre as ações destacadas pela campanha estão intervenções em 1,6 mil quilômetros de estradas, o Hospital da Mulher do Agreste, o programa Mães de Pernambuco, obras em Jardim Monte Verde e a renovação da frota de ônibus da Região Metropolitana.
A governadora também apresentou números de investimentos em diferentes áreas. Segundo a campanha, foram R$ 9,6 bilhões em água, R$ 12,2 bilhões em saúde, R$ 1,96 bilhão em creches, R$ 7 bilhões em estradas e R$ 2,3 bilhões em segurança.
Os valores apresentados no guia integram o balanço eleitoral da candidata e devem ser tratados como dados divulgados pela própria campanha.
“Em três anos e 10 meses, a gente avançou mais do que os oito anos do governo anterior”, afirmou Raquel, fazendo referência às gestões anteriores do PSB.
Apesar do confronto direto entre as campanhas, Lula apareceu positivamente nos dois programas.
Raquel afirmou que contou com a ajuda do presidente para ampliar investimentos em Pernambuco.
“Contei com a ajuda do presidente Lula, que abriu as portas do governo para permitir que a gente pudesse fazer mais e melhor por aqui”, disse.
João, por sua vez, apresentou a proximidade política com Lula como uma das bases de seu projeto para acelerar investimentos caso seja eleito.
A disputa pelo vínculo político com o presidente tem atravessado a campanha estadual. João integra uma aliança que reúne partidos historicamente ligados ao campo lulista, enquanto Raquel, mesmo adversária estadual do PSB, mantém relação institucional com o governo federal e também procura destacar investimentos realizados em parceria com a União.
As mensagens finais deixam clara a diferença central das estratégias, conforme constatado pelo site Jamildo.com.
João tenta convencer o eleitor de que sua experiência no Recife pode ser transferida para Pernambuco e apresenta uma eventual gestão estadual como uma nova etapa de investimentos, com apoio do governo Lula.
Raquel procura transformar obras, programas e investimentos realizados desde 2023 em argumento pela continuidade do atual governo.
O último guia, portanto, terminou menos como apresentação de novidades e mais como uma condensação da escolha que as duas campanhas procuram colocar diante do eleitor: João fala em acelerar e mudar o comando; Raquel fala em manter o ritmo e continuar o trabalho iniciado nos últimos quatro anos.
A votação do primeiro turno ocorre neste domingo, 4 de outubro.