Para Veja, Raquel Lyra relacionou João Campos a uma "volta ao passado", elogiou parceria com Lula e pontuou que não deve seguir candidatura de Caiado
por Cynara Maíra
Publicado em 12/06/2026, às 10h08 - Atualizado às 10h50
Nesta sexta-feira (12), a Revista Veja divulgou uma entrevista na seção das Páginas Amarelas com a governadora Raquel Lyra (PSD). Apesar de evitar um posicionamento claro e focar em citar demandas populares em detrimento de assumir uma posição ideológica, a gestora deu sinais de um maior alinhamento com o presidente Lula (PT).
A própria política falou que "a questão é menos sobre partidos e mais sobre pessoas, como elas podem se unir para superar desafios que estão postos e fazer o estado crescer, o país crescer". Raquel aproveitou a declaração para alfinetar João Campos ao dizer que "Pernambuco não tem dono", em referência aos 16 anos de liderança do PSB no estado.
A gestora criticou abertamente o modelo de governo dos socialistas, classificando o adversário como uma tentativa de retorno ao passado. Segundo ela, a antiga administração realizava promessas e exibia propagandas na televisão sem a existência real de fundos financeiros em caixa.
Raquel apontou que a sua gestão prioriza as necessidades da população no lugar de tratar os cidadãos apenas como um "número de likes" nas redes sociais. Ela também relembrou o isolamento econômico do estado no mandato de Paulo Câmara, que teria cortado canais de diálogo ao brigar com Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Ao ser questionada sobre a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, que sairá pelo PSD, a gestora deu a entender que não pretende abrir palanque para Caiado ao relembrar que Gilberto Kassab prometeu autonomia em sua gestão do PSD em Pernambuco.
"O PSD tem legitimidade para apresentar candidato, somos o maior partido do Brasil em prefeituras.
Mas, quando me filiei, após dois anos de conversas com Kassab,sempre ficou muito clara a liberdade que eu teria para conduzir o partido em Pernambuco. Guardo isso para me posicionar sobre esse tema nos próximos tempos. Não haverá surpresas", declarou a gestora.
Pela maior proximidade de Raquel com Lula entre os pré-candidatos à Presidência, a afirmação de que "não haverá surpresas" poderia indicar que a gestora endossaria o petista.
A governadora também evitou uma pergunta sobre possível alinhamento com Flávio Bolsonaro, defendeu a aproximação com nomes de partidos divergentes e declarou que se posicionará sobre o pleito nacional "no momento certo".
Logo após, Lyra elogiou Lula, afirmou que o político não faltou a Pernambuco e que o trabalho que tem feito conta com a "solidariedade do presidente Lula e de parte do PT".
Um endosso explícito de Raquel para reeleição de Lula seria uma forma de reforçar a ideia de palanque duplo do petista em Pernambuco, pauta que já causou grande repercussão nesta semana após declarações de Wellington Dias para O Globo.
A fala que afirmou que teria apoio de Lula para Raquel e João causou irritação no PSB e fez com que o presidente nacional do PT, Edinho Silva, chegasse a publicar uma nota reafirmando o endosso exclusivo para João Campos.